Banca de DEFESA: ISABELA CRISTINA DE CASTRO ALVES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ISABELA CRISTINA DE CASTRO ALVES
DATA : 16/05/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Plataforma teams
TÍTULO:

Percepção dos agricultores familiares sobre segurança dos alimentos: o que acontece no contexto das escolas públicas do Distrito Federal


PALAVRAS-CHAVES:

“Alimentação escolar; Doenças Transmitidas por Alimentos; Higiene dos alimentos; Inocuidade dos Alimentos; Segurança Alimentar; Boas Práticas Agrícolas ”


PÁGINAS: 1000
RESUMO:

“Introdução: A alimentação ofertada nas escolas públicas no Brasil deve seguir as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Uma das exigências do programa é que, no mínimo, 30% dos recursos financeiros repassados pelo governo federal sejam destinados à aquisição de alimentos da agricultura familiar, incluindo frutas e hortaliças, que muitas vezes são ofertadas cruas. No entanto, esses alimentos estão frequentemente associados a surtos de doenças de transmissão hídrica e alimentar. A ingestão de alimentos contaminados por bactérias, vírus, parasitas ou substâncias químicas e físicas pode causar mais de 200 doenças, além de resultar em incapacidades permanentes ou morte. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar a percepção dos agricultores familiares do Distrito Federal, fornecedores do PNAE, em relação à segurança dos alimentos que produzem, além de investigar as condições ambientais e sanitárias envolvidas na produção. Métodos: Trata-se de um estudo exploratório, de abordagem quantitativa e qualitativa, realizado com agricultores familiares do DF que fornecem hortaliças e frutas ao PNAE. Foram realizadas visitas às propriedades para coleta de dados e amostras de frutas, vegetais, água, solo e fezes dos agricultores. Além disso, aplicaram-se dois questionários: um para identificar características sociodemográficas e outro para avaliar o cumprimento das Boas Práticas Agrícolas (BPA). Também foram realizadas entrevistas semiestruturadas para explorar as percepções dos agricultores sobre segurança dos alimentos e práticas agrícolas. As análises microbiológicas e parasitológicas foram aplicadas a todas as amostras coletadas, utilizando métodos validados. As entrevistas foram transcritas e analisadas por meio de análise de conteúdo com apoio do software IRaMuTeQ®. Resultados: Todos os participantes (n=9) eram do sexo masculino, com faixa etária predominante entre 41 e 50 anos. A maioria se autodeclarou parda (88,9%) e possuía ensino médio (33,3%). Em relação à renda, 33,3% dos participantes relataram rendimentos mensais entre US$ 880,60 e US$ 1.760,00. Em muitas propriedades, foi identificado saneamento básico precário. A água utilizada provinha majoritariamente de poço profundo ou artesiano (77,7%) e era distribuída por encanamento (88,8%). Em 66,6% das propriedades, o lixo era recolhido por serviço de limpeza pública, mas 77,7% não dispunham de local adequado para dejeções, utilizando fossas não conectadas à rede pública de esgoto. A análise das fezes dos agricultores revelou a presença de Escherichia coli e ovos de Ascaris lumbricoides em 33,3% das amostras. Quanto ao uso de insumos, 88,8% utilizavam adubo orgânico, e metade desses também usava adubo químico. A E. coli foi identificada em mais da metade das amostras de solo, e cinco espécies parasitárias foram detectadas, com destaque para larvas de nematóides (94,4%). Na água de irrigação, não foram encontradas formas evolutivas de parasitas, mas apenas duas propriedades estavam livres de coliformes e E. coli. Entre os alimentos analisados, 70,4% apresentaram contaminação por enteroparasitas. Embora todas as amostras estivessem dentro dos limites para Staphylococcus aureus, coliformes totais e bactérias mesófilas foram detectados em todas as propriedades. Três propriedades apresentaram inconformidades em relação à presença de E. coli. A avaliação das BPA indicou um cenário heterogêneo. Os maiores índices de conformidade foram observados nos tópicos de manejo da propriedade, gestão da água, transporte e controle de pragas. A análise lexical das entrevistas identificou cinco categorias principais: práticas adotadas, cuidados, definição de BPA, dificuldades e facilitadores. Os agricultores relataram práticas variadas, reconhecendo barreiras como pragas, exigência estética dos produtos, e falta de apoio técnico. Os facilitadores apontados incluíram capacitações e apoio de órgãos públicos, ainda que com ressalvas quanto à frequência e efetividade desse acompanhamento. Conclusão: A presença de microrganismos indicadores e parasitas nas amostras analisadas demonstra que a segurança dos alimentos produzidos ainda está comprometida, apesar da percepção positiva dos agricultores quanto à adoção de boas práticas. Esses resultados reforçam a importância da capacitação contínua e do fortalecimento das políticas públicas voltadas ao apoio técnico e à educação sanitária no meio rural. A adoção efetiva de boas práticas agrícolas é essencial para garantir alimentos seguros, proteger a saúde dos estudantes e agricultores e viabilizar a consolidação dos objetivos do PNAE.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - ISLANDIA BEZERRA DA COSTA - UFAL
Externa à Instituição - LAIS MARIANO ZANIN - USP
Externa ao Programa - 2330787 - RAQUEL BRAZ ASSUNCAO BOTELHO - nullPresidente - 1905372 - VERONICA CORTEZ GINANI
Notícia cadastrada em: 28/04/2025 12:21
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