TUDO É SOBRE PRETO AGORA? EXPERIÊNCIAS ANTIRRACISTAS NOS CURSOS DE SAÚDE DA REGIÃO CENTRO-OESTE.
Antirracismo; Saúde da População Negra; Educação Superior; Docentes; Descolonização
Esta dissertação sistematiza as iniciativas antirracistas de formação em saúde voltadas para a população negra desenvolvidas nos cursos de graduação em saúde de Instituições de Ensino Superior Público da Região Centro-Oeste. A pesquisa nasce da necessidade de compreender como as instituições de ensino têm respondido ao racismo estrutural e institucional que permeia a formação profissional em saúde no Brasil, perpetuando iniquidades no cuidado prestado ao SUS. A metodologia empregada é de natureza mista, articulando uma revisão de escopo, baseada no manual do Instituto Joanna Briggs e no roteiro PRISMA-SCR, com um estudo de caso qualitativo, que compreendeu 22 entrevistas com docentes. O referencial teórico alicerça-se na decolonialidade, buscando contrapor a lógica eurocêntrica e biomédica hegemônica com o protagonismo de intelectuais negras e negros. Os resultados evidenciam que, embora existam marcos legais significativos, como a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais (DCNERER), as iniciativas de ensino ainda são, em grande medida, episódicas, fragmentadas e concentradas em disciplinas isoladas. A pesquisa revela um descompasso entre a representatividade docente negra e a efetiva implementação de práticas antirracistas transversais, indicando que a branquitude acadêmica persiste como uma barreira estrutural. Conclui-se pela urgência de superar o formato de disciplinas eletivas e isoladas em favor de uma reforma curricular decolonial, que integre saberes ancestrais, valorize o letramento racial e promova uma educação libertadora, capaz de qualificar a atenção à saúde e garantir o direito à equidade racial no SUS.