Desenvolvimento ponderal e características de carcaça de bovinos F1 (½ Crioulo Lageano X ½ Nelore) criados na região do Matopiba.
Adaptação; Carne; Conservação; Produção Animal; Recursos Genéticos.
Considerando que nenhuma raça pode suprir todas as necessidades do sistema produtivo individualmente, o cruzamento entre raças torna-se uma maneira de agregar produtividade e rusticidade. Devido ao seu histórico de seleção natural, as raças taurinas brasileiras desenvolveram características adaptativas únicas, sendo boas candidatas para serem utilizadas em regiões com ambientes menos favoráveis para raças não adaptadas. A raça Crioulo Lageano é considerada rústica e capaz de produzir carne de melhor qualidade, sendo uma boa alternativa para compor cruzamentos nessas regiões. O objetivo deste estudo foi avaliar o desenvolvimento ponderal e a qualidade da carcaça de bovinos F1 (½ Crioulo Lageano x ½ Nelore) criados na região do Matopiba. Para o estudo, foram utilizados machos contemporâneos dos grupos genéticos F1 (½ Crioulo Lageano x ½ Nelore; n=13) Nelore (n=10), criados em pastagens de Brachiaria spp, com suplementação mineral e água ad libitum, no município de Barra do Ouro – TO. Os animais foram avaliados quanto ao peso vivo, altura de garupa (AG) e circunferência torácica (CT) aos 07 (07M),12 (12M), 22 (22M) e 24 meses (24M). Os animais foram abatidos aos 26 meses de idade e avaliados quanto ao peso de carcaça quente (PCQ), peso de carcaça fria (PCF), rendimento percentual de carcaça (RC), espessura de gordura subcutânea (EGS), área de olho de lombo (AOL), marmorização (escala 1 - 6) e índice de carcaça ((RC x AOL) /PCF). O grau de marmoreio foi analisado estatisticamente pelo teste não paramétrico de Wilcoxon, utilizando o PROC NPAR1WAY. As demais variáveis foram submetidas a ANOVA e teste Tukey, utilizando o PROC GLIMIXED (P<0,05) no SAS (Statistical Analysis System). Respectivamente, os grupos genéticos F1 e Nelore diferiram significativamente em AG aos 24M (144,8 ± 4,5 e 151,9 ± 4,4), e peso aos 24 (484,9 ± 19,4 e 455,3 ± 23,7) e 26 meses (519,0 ± 20,2 e 489,5 ± 26,9). Não diferindo em CT, PCQ (279,9 kg ± 16,2 e 271,9 kg ± 12,4), PCF (279,5 kg ± 15,8 e 271,6 kg ± 11,7), RC (53,9% ± 1,9 e 54,8% ± 0,7), EGS (2,8 mm ± 0,8 e 2,4 mm ± 0,5), AOL (77,8 cm2 ± 6,0 e 77,3 cm2 ± 6,0), índex de carcaça (15,0 ± 1,3 e 15,6 ± 1,0) e marmorização (1,6 ± 0,5 e 1,3 ± 0,5). Os animais F1 tiveram desenvolvimento corporal semelhante ao observado na raça Nelore, com animais mais baixos e mais pesados nas fases finais de avaliação, apresentando carcaça com características semelhantes.