O comprimento do músculo quadríceps melhora a eficiência da estimulação elétrica neuromuscular, mas aumenta a fadiga durante as contrações submáximas
estimulação elétrica, fadiga, comprimento muscular, condição articular.
Embora o comprimento muscular seja um determinante crítico da produção de torque durante a estimulação elétrica neuromuscular (EENM), os efeitos interativos do ângulo do joelho e da posição do quadril sobre a eficiência da estimulação e os mecanismos de fatigabilidade ainda não foram amplamente investigados. Este estudo examinou se o ângulo do joelho (20° vs. 60°) e a posição do quadril (supina vs. sentada), utilizados como estratégias para modificar o comprimento do músculo quadríceps, modulam diferencialmente a eficiência da estimulação, a fatigabilidade e as respostas neuromusculares associadas durante EENM submáxima realizada a 20% da contração voluntária isométrica máxima (MVIC). Trinta e seis adultos jovens saudáveis (18 homens e 18 mulheres; idade 21,9 ± 3,0 anos) participaram de quatro condições randomizadas em desenho crossover: supino a 60° (SUP60), sentado a 60° (SIT60), supino a 20° (SUP20) e sentado a 20° (SIT20), cada uma composta por 20 contrações evocadas eletricamente. Os desfechos avaliados incluíram: MVIC, contração isométrica máxima evocada (MEC), índice de fatigabilidade, integral força-tempo (FTI), eficiência da EENM (torque/mA), nível de ativação voluntária, razão reflexo H/onda M (H/M), amplitude eletromiográfica (EMG) do reto femoral e desconforto percebido. As condições com o quadríceps em posição alongada (60°) produziram valores de MVIC 2,3 vezes maiores, eficiência pré-fadiga da EENM entre 1,8 e 2,1 vezes superior e FTI significativamente maior quando comparadas às posições encurtadas (todos p < 0,001). Entretanto, essas mesmas condições apresentaram índices de fatigabilidade 2,4 a 2,5 vezes maiores e redução de 55–56% da FTI ao longo do protocolo, em comparação com reduções de 39–43% nas condições encurtadas. O nível de ativação voluntária foi menor nas condições alongadas (SUP60: ~62% vs. SUP20: ~78%), enquanto o RMS do reto femoral aumentou após a fadiga, sugerindo maior recrutamento neural compensatório. A razão H/M foi influenciada principalmente pela postura corporal, com as posições sentadas apresentando menor excitabilidade espinal em comparação às posições supinas. O desconforto percebido diminuiu de forma semelhante em todas as condições, independentemente do comprimento muscular (p = 0,003). Em conclusão, os resultados indicam que o comprimento muscular deve ser considerado uma variável primária na prescrição da EENM submáxima, uma vez que posições mais alongadas aumentam a eficiência mecânica, mas simultaneamente aceleram o desenvolvimento da fatigabilidade por meio de respostas neuromusculares distintas. Esses achados reforçam a importância do comprimento muscular como um parâmetro fundamental para a prescrição da EENM em contextos clínicos e da medicina esportiva.