"GINGAS” DA MASCULINIDADE NA CAPOEIRAGEM CARIOCA (1870-1940)
capoeiras; masculinidades; virilidades.
Esta pesquisa consiste em uma investigação histórica sobre dimensões do gênero masculino na “cultura da capoeiragem” na cidade do Rio de Janeiro. Investigou-se, a partir de notícias de jornais e periódicos publicados entre 1870 e 1940, marcadores sociais da masculinidade que compunham as interpretações e a agência dos capoeiras na capital. A análise sinaliza o reconhecimento, por parte da imprensa, da condição viril desses sujeitos, sobretudo em seu aspecto agonístico, fato que se consolidou como um importante elemento de prestígio na sociabilidade masculina da época. A agência dos capoeiras gerou respostas da ordem social dominante e das camadas sociais médias na tentativa de disciplinar ou apropriar-se dessa prática. Da repressão ao controle da atividade, a cultura da capoeiragem constituiu um campo de disputa, atraindo homens em busca da afirmação de sua virilidade, trânsito que ia da legitimidade da violência ao domínio da narrativa da prática. Dessas “gingas”, forjaram-se, ao final do período, novas sínteses baseadas na esportivização e na construção da identidade nacional, processos que revigoraram a virilidade da capoeiragem e tensionam a agência de masculinidades negras e da classe trabalhadora.