A CONSTRUÇÃO DE UM TERRITÓRIO AFETIVO NO MUSEU DE ARTE DE GOIÂNIA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL
Pessoas com Deficiência Visual; ecossistema museal; Museu de Arte de Goiânia
A presente pesquisa investiga como tornar o Museu de Arte de Goiânia como território afetivo para as pessoas com deficiência visual. Para isso, articula os conceitos de território, afetividade, ecossistema e bioma como noções analíticas para a compreensão das relações estabelecidas nos espaços museais. O conceito de território é mobilizado para evidenciar a superação de uma concepção restrita do museu como espaço de exposição de objetos de arte, passando a compreendê-lo como uma dimensão relacional, vivida e compartilhada pela comunidade, transformada pelo vínculo entre pessoas, ambiente e experiências. O conceito de afetividade permite compreender que o interesse pela visitação de pessoas com deficiência visual não se desenvolve apenas por meio de recursos de acessibilidade, mas pela construção de um local produzido nas relações entre corpo e experiência, despertando sentidos, emoções e vínculos de pertencimento, nos quais os sujeitos se sintam seguros, favorecendo seu retorno e na permanência. Para aprofundar a compreensão do museu como território afetivo, a pesquisa aproxima-se da ideia de ecossistema, entendido como um conjunto dinâmico de relações entre os fatores bióticos, quais sejam: os mediadores, artistas, visitantes, e abióticos, como os objetos de arte, arquitetura e recursos tecnológicos. Essa perspectiva permite analisar como esses diferentes elementos interagem na produção de experiências simbólicas e sociais. O conceito de bioma, por sua vez, é incorporado para reconhecer que o museu não pode ser compreendido como uma estrutura universal, mas como um ambiente vivo, constituído a partir de contextos específicos de cada região, das condições urbanas e das políticas culturais locais. A investigação fundamenta-se na abordagem da pesquisa emancipatória da deficiência, na qual as pessoas com deficiência visual são reconhecidas como participantes ativas na produção do conhecimento. Essa perspectiva articula-se à metodologia da pesquisa-ação, por meio da constituição de um coletivo de pesquisa envolvendo estudantes do Núcleo de Apoio Pedagógico para Pessoas com Deficiência Visual (NAP) e servidores do Museu de Arte de Goiânia, promovendo encontros e rodas de conversa. Esse processo busca compreender, a partir da experiência dos participantes, como o Museu de Arte de Goiânia pode se tornar um território afetivo para as pessoas com deficiência visual.