Fome Poética: a Arte de Bando como partilha-cotidiana, o voluntariado e a prática-marmital da furdunçaria-chacoalhante
fome; arte contemporânea; voluntariado; segurança alimentar; poética
Esta tese de doutorado em Artes Visuais propõe a noção de Arte de Bando: uma práxisartística-filosófica que visa romper com as fronteiras institucionais ao integrar arte, ação social e segurança alimentar. A pesquisa fundamenta-se em três pilares operacionais: ações sociais em arte, redes e sistemas, e o voluntariado como exercício democrático. A metodologia adota uma perspectiva decolonial e a escrevivência, utilizando a marmita-poética como dispositivo de insurgência e mediação comunitária. O texto estabelece diálogos com a estética relacional e desobediência epistêmica frente à pureza da arte tradicional. Os argumentos centrais articulam a criatividade social e a micropolítica para transformar a realidade urbana por meio de coletivos artísticos. Conclui-se que as práticas do furdunço e do chacoalhão geram fissuras no sistema de arte, promovendo uma poética da convivência. A tese sistematiza princípios de responsabilidade social e engajamento ético-estético. O trabalho valida, ainda, a figura do artista-encrenqueiro como agente de transformação social e política em contextos periféricos. Assim, a obra consolida uma cartografia viva de resistências artísticas brasileiras contemporâneas.