Banca de DEFESA: Laura Gomes

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Laura Gomes
DATA : 06/07/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Hibrida
TÍTULO:

Assédio moral no trabalho: Narrativas da violência estrutural na racionalidade neoliberal


PALAVRAS-CHAVES:

assédio moral; violência estrutural; racionalidade neoliberal; riscos psicossociais.


PÁGINAS: 160
RESUMO:

A presente tese investiga as experiências de trabalhadores que vivenciaram situações de assédio moral, compreendendo-as como expressões da violência estrutural e simbólica própria da racionalidade neoliberal do trabalho. Parte-se da tese de que o assédio moral não constitui um fenômeno interpessoal isolado ou um desvio ético individual, mas uma faceta da violência estrutural inerente às relações de exploração laboral do capitalismo contemporâneo, intensificada pelas características da cultura neoliberal. O referencial teórico articula autores como Dardot e Laval, Bourdieu, Han, Dejours, Gaulejac, Safatle e Vasconcelos, cujas contribuições permitem compreender como a racionalidade neoliberal produz subjetividades compatíveis com a naturalização do assédio e da violência no trabalho. Adotou-se uma abordagem qualitativa, de natureza descritiva e interpretativa, com coleta de dados por meio de dez entrevistas on-line semiestruturadas realizadas com trabalhadores vítimas de assédio e/ou violência no trabalho. Os dados foram analisados a partir da análise de conteúdo categorial de Bardin (1977), mediante a construção de memoriais de histórias do trabalho, organizados em quatro eixos: manifestação da racionalidade neoliberal; naturalização e legitimação da violência como discurso e prática estrutural; efeitos da violência; e resistências e reconstrução. Os resultados evidenciam que, independentemente do setor, do vínculo ou da trajetória profissional, as narrativas convergem para a descrição de ambientes laborais atravessados por relações hierárquicas rígidas, insegurança funcional, precarização dos vínculos e ausência de mecanismos institucionais efetivos de responsabilização. Observa-se que a violência emerge como elemento constitutivo da organização do trabalho, sustentada pela lógica da competição, da meritocracia e da responsabilização individual, e que seus efeitos — ansiedade, burnout, culpa, perda de reconhecimento e adoecimento — ultrapassam o plano individual e reorganizam os vínculos coletivos. A tese contribui para o campo ao articular, em termos teóricos e empíricos, as relações entre racionalidade neoliberal, gestão contemporânea, riscos psicossociais, violência simbólica, assédio moral e degradação dos coletivos de trabalho, apontando para a necessidade de políticas públicas de prevenção que superem as respostas exclusivamente jurídico-punitivas.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - Vanessa Catherina Neumann Figueiredo - UFMS
Externa à Instituição - ANA MAGNOLIA BEZERRA MENDES - UnB
Presidente - 1802153 - EMILIO PERES FACAS
Externo à Instituição - SÉRGIO DIAS GUIMARÃES JUNIOR - UERJ
Interna - 2122867 - VERUSKA ALBUQUERQUE PACHECO
Notícia cadastrada em: 23/06/2026 14:40
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