Banca de DEFESA: Carolina Faraoni Bertanha

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Carolina Faraoni Bertanha
DATA : 29/04/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Defesa Híbrida: Sala de Defesa do SOL e https://conferenciaweb.rnp.br/sala/tiago-ribeiro-duarte
TÍTULO:

Mundo(s) em conflito: Mineração de ouro e injustiça ontológica em Paracatu, MG


PALAVRAS-CHAVES:

Conflito Ontológico; Injustiça Ontológica; Mineração de ouro;


PÁGINAS: 220
RESUMO:

A presente tese investiga o conflito ontológico em torno da mineração de ouro em larga escala no município de Paracatu, Minas Gerais, operação atualmente controlada pela transnacional canadense Kinross Gold Corporation. Distanciando-se da premissa ontológica moderna que cinde Natureza e Sociedade e que enquadra o minério como um mero recurso inerte, a pesquisa ancora-se no arcabouço teórico-metodológico da Teoria Ator-Rede (TAR) e da Ecologia Política Decolonial. A partir desse referencial, promove-se um deslocamento analítico: dos tradicionais conflitos socioambientais focados na distribuição desigual de ônus e bônus para a ecologia política dos conflitos ontológicos. O objetivo central é analisar como a "metafísica de um mundo só", inerente ao extrativismo capitalista, impõe-se sobre o pluriverso através de traduções assimétricas e objetos subordinantes-redutores. Metodologicamente, mobiliza-se a Cartografia de Controvérsias para rastrear as intrincadas associações entre atores humanos e não-humanos (leis, tecnologias, mercúrio, arsênio, cientistas, garimpeiros e moradores). Descreve-se, assim, como múltiplas realidades são performadas (enacted) nas práticas sociomateriais e como mundos incomensuráveis entram em choque. O argumento central sustenta que a ocupação ontológica em Paracatu estrutura-se em dois grandes movimentos contínuos de (des)estabilização de realidades. O primeiro movimento compreende a aniquilação física e legal da tradição do garimpo artesanal. Demonstra-se como o aparato estatal e a corporação mineradora mobilizaram a controvérsia e o pânico material em torno do uso do mercúrio para criminalizar modos de vida e práticas de subsistência. Através de decretos e normativas que atuaram como atores pontualizadores, instituiu-se o monopólio corporativo da "tecnologia salvadora", suprimindo existências para converter violentamente o território em um exclusivo "lugar minerável". O segundo movimento eclode com o massivo Projeto de Expansão da mina e o subsequente sufocamento epistêmico da controvérsia em torno da contaminação por arsênio. Enquanto ativistas, moradores locais e cientistas independentes enactam um "mundo contaminado" ao dar materialidade à toxicidade bioacumulativa, invisível e crônica do semimetal que vaza das operações, a corporação reage mobilizando a "política do razoável". Através de intensas translações assimétricas, a mineradora purifica o arsênio como uma ocorrência geológica natural e inofensiva, subordinando o sofrimento e o adoecimento das margens à racionalidade tecnocrática de seus painéis de especialistas e selos de certificação. A tese conclui que a incapacidade da ciência oficial em encerrar a controvérsia — materializada em uma caótica "guerra de laboratórios" permeada por incomensurabilidades metodológicas — não representa uma falha sistêmica, mas opera como um engenhoso dispositivo de poder a favor do ator hegemônico. A perpetuação estratégica da incerteza científica, chancelada pelo Estado através do licenciamento ambiental, consolida a mais profunda injustiça ontológica. Por fim, garante-se a legalidade da extração contínua e o fluxo do capital transnacional impunemente, enquanto afoga-se o adoecimento, a (re)existência e os mundos dissonantes das margens em um violento limbo de dúvidas burocráticas.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1642428 - FABRICIO MONTEIRO NEVES
Externa à Instituição - LORENA CANDIDO FLEURY - UFRGS
Externo à Instituição - MARCELO CARVALHO ROSA - UFRRJ
Interno - 1505195 - SERGIO BARREIRA DE FARIA TAVOLARO
Presidente - 1569541 - TIAGO RIBEIRO DUARTE
Notícia cadastrada em: 08/04/2026 12:19
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