Administração de conflitos e militarização das escolas do DF: está na hora de chamar a polícia?
Conflito escolar. Violência escolar. Escolas cívico-militares. Militarização das escolas. Administração de conflitos.
As escolas são espaços de socialização nos quais os conflitos fazem parte da vida cotidiana. Partindo da perspectiva sociológica de Georg Simmel, esta tese compreende o conflito como elemento constitutivo das relações sociais, que não deve ser eliminado, mas administrado para evitar sua transformação em violência. A pesquisa dialoga com estudos sobre conflitos e violência escolar e diferencia esses fenômenos, entendendo a violência como resultado de interações sociais, institucionais e culturais. Investigo se a principal justificativa para a implantação do modelo cívico-militar, que envolve o combate à violência escolar e o acolhimento de comunidades em situação de vulnerabilidade, se confirma na prática. Com uma abordagem qualitativa, quantitativa e comparativa, analiso duas escolas públicas localizadas na periferia norte do Distrito Federal: uma com gestão cívico-militar, implantada em 2019, e outra com gestão exclusivamente pedagógica (gestão civil), situadas bem próximas uma da outra. Os resultados indicam que, embora ambas as escolas enfrentem conflitos semelhantes, os modos de gestão produzem respostas distintas. A escola de gestão pedagógica prioriza a mediação interna e a responsabilização dos envolvidos, enquanto a escola cívico-militar tende a adotar estratégias de controle, exclusão e encaminhamento dos conflitos para instâncias externas. A militarização não elimina os conflitos escolares, mas redefine suas formas de administração, com impactos relevantes sobre as relações sociais e o cotidiano escolar.