MASCULINIDADES NEGRAS E BARGANHA: uma genealogia dos processos de
subjetivação masculina a partir das experiências de Lima Barreto e de homens negros presos
por tráfico de drogas no Estado da Paraíba
masculinidades negras; Lima Barreto; tráfico de drogas; genealogia
A presente pesquisa tem como objetivo geral analisar a masculinidade enquanto instrumento de barganha e negociação na vida de homens negros a partir de dois cenários: o primeiro encontra-se nos escritos pessoais do literato negro brasileiro Afonso Henriques de Lima Barreto, em obras como Diário Íntimo e Diário do Hospício; o segundo encontra-se nos relatos de homens negros processados ou condenados por tráfico de drogas atendidos pelo Escritório Social da Paraíba. Metodologicamente, o estudo apoia-se no conceito de genealogia desenvolvido por Friedrich Nietzsche. Olhando para o campo literário e social contemporâneo, busco compreender e refletir sobre os significados atribuídos ao “ser homem” a partir das dinâmicas raciais produzidas pela colonização. Para esse exercício, lanço mão da seguinte hipótese: as violências promovidas pelo Estado contra homens negros — seja pela via contemporânea da “Guerra às Drogas”, seja pelas internações manicomiais do século XX vivenciadas por Lima Barreto — perpetuam dinâmicas coloniais de poder que operam no nível do controle das subjetividades e dos afetos. Nesse processo, os imperativos de masculinidade passam a funcionar como instrumentos de negociação e barganha para a sobrevivência dentro de um sistema voltado para a reprodução de políticas de morte, no qual a humanidade desses sujeitos é sistematicamente negada ao equipará-los à figura do animal. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza interdisciplinar, construída sob o diálogo entre disciplinas como Sociologia, Literatura, Direito, História e Filosofia.