Logum Edé, Insubmissão e Axé: A Recriação das Tradições do Candomblé para o Acolhimento da Pessoa Transgênera no Terreiro
Logum Edé; Pessoa transgênero; Candomblé.
Embora eu não me identifique como uma pessoa transgênera, minha trajetória pessoal e espiritual no candomblé, me oferece uma lente especial para a compreensão de gênero dentro do terreiro. Minha própria identidade LGBTQIA+, aliada aos desafios e os tabus enfrentados devido ao arquétipo do meu Orixá Logum Edé, que transcende binarismos rígidos, impulsionou o desejo da realização desta pesquisa estabelecendo fundamentos para o avanço dos Direitos Humanos e o fortalecimento da Cidadania para com as pessoas trans no terreiro. A presente proposta, parte também da necessidade que percebo no candomblé em lidar com as questões do acolhimento integral às pessoas transgêneros no terreiro. Nesse sentindo é que objetivo analisar empiricamente e, em diálogo com as autoras e autores que pesquisam as questões e tensões sobre a presença de pessoas trans no terreiro de candomblé, quando se trata do acolhimento das pessoas transgêneras. Para esse propósito a pesquisa se organiza inicialmente, em três partes (memorial descritivo da minha trajetória de candomblecista e membro da comunidade LGBTQUIA+, Revisão da Literatura e etnografia), em que pretendo pensar interdisciplinarmente como a tradição ancestral do candomblé e as influências colonialistas acionam os princípios dos Direitos Humanos para o acolhimento aprimorado das pessoas transgêneras. Os participantes da pesquisa serão pessoas transgêneras candomblecistas e lideranças do candomblé, pretendendo investigar aproximadamente quatro terreiros de candomblé do Distrito Federal e Entorno (ainda a serem mapeados), seja por nações, por terreiros mais antigos e/ou por terreiros que possuem pessoas transgêneras.