Banca de DEFESA: MARIA RAQUEL GOMES MAIA PIRES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA RAQUEL GOMES MAIA PIRES
DATA : 06/05/2025
HORA: 10:00
LOCAL: MEET.GOOGLE
TÍTULO:

 

O estatuto da mentira poética em Nietzsche


PALAVRAS-CHAVES:

 

Nietzsche; linguagem; mentira poética; metáfora.


PÁGINAS: 107
RESUMO:

 

Esta dissertação de Mestrado investiga o estatuto da mentira poética na filosofia de Nietzsche. Por mentira poética entendemos um discurso fundado em artifícios artísticos (metáforas) que problematizam a função semântica da linguagem. Como argumentos centrais do estudo, defendemos: i- o estatuto da mentira poética na filosofia de Nietzsche não remete a uma crítica do caráter lógico-especulativo da linguagem, ou seja, dos fundamentos do conhecimento, mas tem uma abordagem estética específica, a saber: possibilitar uma reflexão sobre uma linguagem liberada da função referencial; ii- a mentira poética em Nietzsche não se opõe à verdade, mas se apresenta como manifestação de certo “ceticismo linguístico”; iii- o ceticismo linguístico seria, então, uma das chaves para o entendimento da mentira como linguagem poética fundada na metáfora, em Nietzsche. Seguindo essas coordenadas teóricas, o primeiro capítulo inicia com uma contextualização do objeto de pesquisa, em que apresentamos o problema da mentira na Pesquisa Nietzsche, a partir da análise do ensaio não publicado Verdade e mentira no sentido extramoral (WL). Concorrem, a nosso ver, as seguintes interpretações: i- a primeira, hegemônica, concebe a mentira (aparência, engano, falso, ilusão) como impulso do ser humano necessário ao conhecimento (portanto, “verdadeiro”) que aprisionaria a metáfora, no âmbito da linguagem; ii- em contraponto, interpretações como a do pesquisador Claus Zittel, em quem nos baseamos, defendem o caráter autorreferente, relacional, contestador da função semântica da linguagem presente na metáfora. Recomposto o debate da Pesquisa Nietzsche sobre as interpretações da metáfora em WL, realizamos nossa interpretação do estatuto da mentira poética nesse ensaio sob o seguinte fio condutor: a mentira poética – discurso fundado nas metáforas do mentiroso/poeta/artista – desestabiliza as convenções disciplinadas pelos conceitos, estratégia fundamental para o que denominamos ceticismo linguístico. A mentira poética se assenta numa concepção de metáfora que supera a clássica dicotomia entre sentido literal e figurado. Uma vez interpretada a mentira poética em WL, passamos à leitura de Humano, demasiado humano (MA). A partir da intertextualidade, procedemos nossa investigação sobre o estatuto da mentira poética em MA a par da premissa sobre os avanços na noção de metáfora e sobre o ceticismo linguístico em WL (capítulo 1). No argumento central, destacamos que a fórmula da(o) artista/poeta como enganador, nessas obras, são “pontes” (metáforas) para a discussão da mentira nas poéticas gregas, com ênfase nas seguintes características: i- a ambiguidade da relação entre “verdade” e “mentira” na tradição do discurso poético; ii- o destaque à representação literária da métis (divindade que subsidiou o imaginário grego em torno da astúcia, inteligência, esperteza, magia) da(o) artista/poeta na habilidade de contar histórias, de narrar mitos; iii- o engano como dimensão artística da linguagem que acentua a crise do primado semântico. Nossa pesquisa sobre o estatuto da mentira poética como discurso que questiona a primazia semântica da linguagem aponta para a pertinência de considerarmos o ceticismo no âmbito da crise da linguagem, assumida por Nietzsche ao longo de praticamente toda sua filosofia.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - ANNA HATMANN - UNIRIO
Presidente - 1866410 - ANDRE LUIS MUNIZ GARCIA
Interno - 3090252 - FABIO MASCARENHAS NOLASCO
Interno - 1695488 - FERNANDO RIBEIRO DE MORAES BARROS
Notícia cadastrada em: 29/04/2025 14:40
SIGAA | Secretaria de Tecnologia da Informação - STI - (61) 3107-0102 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - app08.sigaa08