VOLUNTAS EM TOMÁS DE AQUINO: HERANÇA ARISTOTÉLICA, TRADIÇÃO CRISTÃ E ORIGINALIDADE
Tomás de Aquino. Vontade. Aristóteles.
Tomás de Aquino é um dos grandes representantes do aristotelismo na tradição escolástica, tendo integrado de modo original os princípios da filosofia de Aristóteles à teologia cristã. Neste estudo, buscamos compreender a noção de voluntas em Tomás de Aquino, investigando suas principais fontes e influências, com ênfase na tradição aristotélica. A filosofia do Estagirita constitui a base fundamental do pensamento de Tomás. No entanto, no que tange à concepção da vontade (voluntas), o Doutor Angélico não se limita à simples recepção das ideias aristotélicas, mas as adapta e reelabora, integrando elementos de outras tradições filosóficas. Diante disso, propomos responder à seguinte questão: quais são os fundamentos da noção de voluntas em Tomás de Aquino e até que ponto essa concepção se aproxima ou se distancia da teoria aristotélica? Na realidade, em Tomás, não se trata de um conceito isolado de vontade (voluntas), mas de uma teoria que integra e articula múltiplos conceitos. Compreender a voluntas em Tomás exige a apreensão de uma teoria geral da ação, visto que se trata de uma faculdade que, juntamente com o intelecto (intellectus), orienta e fundamenta o agir moral do homem. A noção de vontade (voluntas) em Tomás é ampla, e o Doutor Angélico se destaca por incorporar em seus escritos, notadamente, as contribuições de Aristóteles, Agostinho e João Damasceno – discípulo de Máximo, o Confessor, que é apontado por alguns como precursor da noção de vontade (voluntas). Observa-se, assim, uma clara evolução do conceito de vontade (), que se desenvolve desde Aristóteles, passando pelos filósofos estoicos até Agostinho, culminando em Tomás de Aquino. Em Aristóteles, a encontra-se no nível da faculdade sensitiva, sendo ativada pela razão. Já em Tomás, a vontade (voluntas) alcança o estatuto de faculdade independente superior da alma. Em suma, nos propomos investigar os fundamentos da noção de voluntas em Tomás, analisando até que ponto essa concepção se aproxima ou se distanciam da teoria aristotélica.