Bataille na encruzilhada: sagrado, violência e as formas de (des)encantar o mundo
sagrado; desencantamento; violência; Georges Bataille
A filosofia de Georges Bataille, frequentemente mal interpretada como misticismo por outros pensadores de sua época, se apresenta como um campo de reflexões para a prática política contemporânea e para o esforço filosófico em elaborar uma forma de conhecimento sobre contextos não ocidentais, como as comunidades indígenas ou países do sul global. Esta dissertação parte da premissa de que a modernidade se caracteriza pelo processo de desencantamento promovido pela institucionalização da vida, pela unificação constitutiva dos Estadosnacionais. Viso explorar a distinção batailleana entre os conceitos de sagrado e profano, com o intuito de evidenciar a intersecção entre vida e política, e o que constitui uma vida encantada ou desencantada, a partir de um diálogo entre o pensamento de Bataille e o perspectivismo ameríndio. Com isso, o trabalho analisa algumas experiências heterogêneas que resistem à realidade econômica e social da modernidade, buscando, assim, definir o que seria uma “existência sagrada”, e como modos de resistência ao modelo capitalista de Estado-nação, por meio de formas marginalizadas de existência, podem revelar a alienação daquilo que Bataille entende por “espírito moderno”. Por fim, abordo como, para Bataille, existe uma unidade entre o fazer filosófico e a recriação do sentido da vida a partir da violência. Aponto como, no pensamento de Bataille, é apenas a partir da compreensão dessa unidade que se pode romper com o projeto moderno de manutenção da vida desencantada. Assim, discuto como as formas sociais de satisfação da vida estão em conflito direto com a instrumentalização da violência que constitui o núcleo da modernização ocidental.