A tolerância como ação moral individual ou prática político-social: possibilidades e análises em John Locke e Voltaire
tolerância; religião; virtude; moralidade; história.
Essa pesquisa aborda os debates filosóficos dos últimos trinta anos sobre o conceito e a prática da tolerância. Partindo da distinção da tolerância como uma ação moral individual e como uma prática política ou social, analisam-se as dificuldades que cada esfera empresta à ideia de tolerância, demonstrando como a tolerância como ação moral individual defronta-se com impasses, paradoxos e empecilhos para se realizar de modo consistente. Diante dessas definições, a pesquisa procede à exposição do surgimento da tolerância como possível ação virtuosa geral a partir da emergência da ideia de tolerância religiosa decorrente das guerras religiosas dos séculos XVI e XVII, e, por conseguinte, nas obras canônicas no tema, a “Carta sobre a Tolerância”, de John Locke, e o “Tratado sobre a Tolerância”, de Voltaire, que instanciam o encerramento teórico dessas disputas no início da Ilustração. Com tal apresentação, a pesquisa busca proceder à seguinte análise: (i) qual modelo de tolerância surge nas obras de John Locke e Voltaire, se uma ação moralmente virtuosa individual ou uma prática política e social; e (ii) quais os limites para afirmarmos a existência de uma ação tolerante enquanto tolerância religiosa.