OS SÍMBOLOS DE HESTIA E SUAS RELAÇÕES COM OS ESCRITOS DE FILOLAU DE CROTONA
Hestia, lareira, Filolau, pitagorismo
Esta pesquisa tem por objetivo examinar o que significa hestia e quais são seus símbolos, buscando compreender as razões que motivaram o filósofo pitagórico do séc. V aEC, Filolau de Crotona, a considerá-la como o centro do cosmos. Hestia não é somente uma deusa ou meramente uma lareira, mas é, também, símbolo de sacralidade, respeito, verdade, hospitalidade, justiça, imutabilidade e cidadania. Mesmo com essa pluralidade de significados, a filosofia filolaica sofreu reduções simbólicas consideráveis após os comentários de Aristóteles no De Caelo (293a18-22). Nesse texto, o Estagirita afirma que, para os “assim chamados pitagóricos”, haveria um fogo central (μέσος πῦρ) no centro do cosmos. A interpretação aristotélica não está errada: afinal, há fogo em hestia. O problema da leitura de Aristóteles é que há uma redução da cosmologia filolaica a um nível puramente fenomênico, que parece escantear os sentidos, religiosos, ritualísticos e antropológicos que hestia possui. Portanto, a presente dissertação busca resgatar os sentidos plurais de hestia e, com isso, demostrar como e porquê o filósofo pitagórico a escolheu como o centro, o âmago, de seu cosmos.