Banca de DEFESA: Arthur Gabriel Sobreira

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Arthur Gabriel Sobreira
DATA : 29/05/2026
HORA: 10:00
LOCAL: On-line
TÍTULO:

Bestiário dialético: metáforas animais nos diálogos platônicos


PALAVRAS-CHAVES:

Platão. Animais. Linguagem. Metáfora. Dialética.


PÁGINAS: 210
RESUMO:

Esta tese investiga as referências aos animais nos diálogos platônicos como fenômeno estrutural da prática filosófica de Platão, e não como mero ornamento retórico, resíduo poético ou alegoria fechada. Cães, cavalos, abelhas, lobos, cisnes, arraias elétricas, moscardos, leões, porcos, sátiros e muitos outros animais comparecem de modo recorrente no corpus platônico, especialmente em momentos nos quais a investigação avança em direção a questões relativas à alma, ao conhecimento, à educação, à ética e à política. Contra uma tradição interpretativa que, apesar dessa imensa e constante presença, tende a oscilar entre dois extremos falhos, a saber: considerar essas referências como enfeites discursivos dispensáveis ou convertê-las em símbolos fixos e fechados a serem decodificados. Minha tese propõe uma interpretação de terceira via contra esta dupla redução, pois as referências aos animais atuam dialeticamente enquanto dispositivos filosóficos dialógico-contextuais determinados segundo sua função e, por isso mesmo, indispensáveis ao modo como Platão articula, radicaliza e evidencia inteligivelmente problemas, sejam ontológicos, éticos, políticos, pedagógicos ou epistemológicos. A metodologia articula três movimentos complementares: levantamento sistemático das ocorrências; classificação segundo seis funções predominantes — religiosa/ritual, técnica/econômica, ética, política, pedagógica e epistemológica —; e análise contextual rigorosa, destinada a reinserir cada referência no movimento argumentativo do diálogo. A Tabela Final, apresentada no Anexo I, registra para cada ocorrência o diálogo, a passagem, o corte metafórico ou não-metafórico e o papel desempenhado no argumento. O primeiro capítulo estabelece o aparato conceitual da pesquisa, examinando a relação entre linguagem, discurso, imagem e prática filosófica em Platão, bem como a inserção das referências animais na tradição poética, fabular e cômica grega. O segundo capítulo desenvolve a análise funcional das seis categorias, mostrando que as referências aos animais atuam em diferentes níveis: inscrevem-se nas práticas religiosas, rituais, técnicas e econômicas da pólis; tornam visível a estrutura conflitiva da alma; orientam diagnósticos políticos; modelam a pedagogia socrática; e participam da distinção e da ascensão entre nome e discurso, sensação e reflexão, opinião e conhecimento, sensível e inteligível. Dos bois sacrificiais, passando pelo cocheiro e os cavalos alados, até as abelhas, conclui-se que as referências aos animais constituem um dos modos privilegiados pelos quais Platão pensa filosoficamente. Ler os diálogos atento a essa estrutura dialético-imagética é, portanto, reaprender a ler Platão como prática viva de pensamento em exercício, e não como conjunto de teses desencarnadas.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - ***.739.477-** - ALDO LOPES DINUCCI - UFS
Externa à Instituição - BEATRIZ CRISTINA DE PAOLI CORREIA - UFRJ
Interno - ***.811.357-** - FELIPE RAMOS GALL - PUC - RJ
Presidente - 1535405 - GABRIELE CORNELLI
Externo à Instituição - RAFAEL CÉSAR PITT - UNIFAP
Notícia cadastrada em: 05/05/2026 15:17
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