NEUTRALISMOS E NEUTRALIDADES: CONCEPÇÕES IDEOLÓGICAS E CULTURAIS DA POLÍTICA EXTERNA ARGENTINA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Neutralidade Argentina, Segunda Guerra Mundial, Nacionalismo
Esta dissertação examina a política de neutralidade argentina durante a Segunda Guerra Mundial, percebendo-a não como uma postura fixa, mas como um palco dinâmico de confrontos simbólicos, políticos e ideológicos. Argumenta-se que a neutralidade foi mais do que uma política de Estado; constituiu um conceito político complexo, empregado por diversos projetos de nação e cujo sentido foi continuamente adaptado para atender a interesses internos distintos. A evolução da neutralidade — desde sua gênese, atravessando os governos civis dos anos 30, os regimes militares pós-golpe de 1943, até seu abandono estratégico — espelhou e impulsionou tensões cruciais na sociedade argentina, como os embates entre culturas políticas e a ascensão das Forças Armadas. A pesquisa redefine a neutralidade não somente como uma diretriz de política externa, mas também como um alicerce ideológico e um catalisador político. Ao obrigar a definição de projetos nacionais frente à ordem global, a neutralidade intensificou a crise do Estado liberal-conservador e preparou o terreno para a hegemonia do nacionalismo militar.