A PLATAFORMIZAÇÃO DA SOCIEDADE E A RENOVAÇÃO DO ENSINO DE HISTÓRIA: ATUALIZANDO PARA DEIXAR TUDO COMO ESTÁ?
Plataformização. Ensino de História. Etnografia escolar. BNCC. Educação pública. Pensamento histórico.
Esta tese analisa como a plataformização da sociedade tem reconfigurado o ensino de História na educação básica brasileira, com foco nas escolas públicas do Distrito Federal durante o retorno presencial pós-pandemia em 2021. Combina-se discussão teórica, análise das versões da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e etnografia escolar para compreender os efeitos desse fenômeno nas práticas e nos princípios educacionais. A etnografia foi utilizada como forma de conhecimento e de escuta, permitindo captar dimensões não parametrizáveis do cotidiano docente. Os resultados indicam que as plataformas digitais interferem nas formas de se ensinar e aprender História, instaurando novas temporalidades, regimes de visibilidade e modos de relação entre professores, estudantes e conhecimento. Conclui-se que o ensino de história não está apenas se atualizando nos moldes descritos por Wendy Chun, cuja teoria entende “atualização” como o reforço de hábitos digitais em momentos de crise, mas passando por transformações mais amplas, que alteram a maneira como o conhecimento histórico é produzido, mediado e partilhado na escola. Ao situar o ensino de História entre técnica, mediação e experiência, a tese contribui para repensar o papel da escola e do professor na formação de sujeitos críticos em uma sociedade tecnicamente mediada.