Juvenilização da Educação de Jovens, Adultos e Idosos no Distrito Federal: causas, impactos e desafios
Juvenilização; EJAI; Desigualdades educacionais; Trajetórias escolares.
Esta tese analisa a juvenilização da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) no Distrito Federal (DF), marcada pela presença de jovens de 15 a 20 anos em uma modalidade historicamente voltada a adultos trabalhadores. A pesquisa busca compreender por que esses jovens, com idade para estarem matriculados no ensino regular, migram para a EJAI, e de que forma a presença desse público transforma a dinâmica dessa modalidade. O estudo reconstrói os percursos históricos e normativos da EJAI no Brasil e examina o contexto específico do DF, em que fluxos migratórios, desigualdades socioespaciais e formas de organização da oferta influenciam as trajetórias escolares. O referencial teórico articula categorias de Freire (1967, 1989, 1996, 2015), Bourdieu (1998, 2007, 2009) e Gramsci (2004), que permitem interpretar a juvenilização como expressão de processos sociais e escolares mais amplos. A investigação adota abordagem metodológica qualitativa, descritiva e crítico-interpretativa (Chizzotti, 2006; Demo, 1995; Flick, 2009; Gil, 2008; Minayo, 2014). Entrevistas foram realizadas em três escolas públicas com oferta de EJAI noturna – envolvendo 15 estudantes, 9 docentes e 3 gestores – e analisadas por meio de categorias construídas segundo os princípios da Análise de Conteúdo Temática (Bardin, 2016). A análise do material empírico mostra que as causas da juvenilização se relacionam à dificuldade de conciliar estudo e trabalho, às reprovações sucessivas e conflitos disciplinares no ensino regular, à ruptura do vínculo escolar durante a pandemia, aos encaminhamentos institucionais feitos pelas escolas de ensino regular e à busca por percursos mais curtos de conclusão da Educação Básica. Os impactos identificados incluem a convivência geracional complexa, mudanças no ambiente escolar e maior centralidade da certificação, ao lado da produção de sentimentos de acolhimento e pertencimento que favorecem a retomada dos estudos. Os desafios enfrentados pela modalidade envolvem o engajamento e a permanência dos estudantes, as lacunas acumuladas de aprendizagem, os limites do modelo semestral e a ausência de formação docente específica para o trabalho com jovens em um espaço concebido para adultos. A tese conclui que a juvenilização da EJAI revela tensões da própria Educação Básica, ao deslocar jovens que não encontraram condições de permanência no ensino regular, ao mesmo tempo em que evidencia a EJAI como espaço possível de continuidade escolar e reconstrução de trajetórias.