Petrologia e metalogênse do depósito de ouro (±Cu) Raimunda, Sul do Cráton Amazônico, Província Mineral Juruena (MT).
Arco magmático Paleoproterozoico contínuo, alteração hidrotermal, fluidos mineralizantes, modelo metalogenético.
A Província Mineral Juruena, no sul do Cráton Amazônico, é uma província mineral emergente de classe mundial devido aos numerosos depósitos de Au, Cu e metais básicos descobertos e explorados nas últimas décadas. O depósito de Au (±Cu) Raimunda, localizado ao leste da província, está inserido no Completo Novo Mundo, formado por fácies graníticas (monzonito, monzogranito, biotita granodiorito e sienogranito), do tipo I, calcioalcalinas, com características de ambiente de arco vulcânico, com idades U–Pb variando entre 2,03 e 1,98 Ga, TDM entre 2,52–2,15 Ga e ɛNd(t) entre -2,0 e +1,8. Os dados petrológicos, geoquímicos e isotópicos do Complexo são correlacionáveis aos do Arco Magmático Cuiú-Cuiú, gerado durante a principal fase de arco na região (2,05 – 1,99 Ga). E, juntamente com estudos mais recentes sobre a geotectônica do Cráton, permitem sugerir a existência de um arco magmático contínuo Paleoproterozoico na porção sul do Cráton Amazônico, responsável pela formação das principais rochas graníticas pertencentes às Províncias Minerais Tapajós e Juruena. As fácies monzogranito e sienogranito apresentam mineralização expressiva, e as porções mineralizadas são fortemente hidrotermalizadas, compreendendo metassomatismo sódico incipiente, microclinização, alteração propilítica, alteração sericitica, silificação, estágio de sulfetação e carbonatação tardia. A mineralização é disseminada e geneticamente associada à alteração sericítica (Au1) e ao estágio de sulfetação (Au2). No estágio inicial de mineralização, o ouro ocorre incluso em pirita, disposto em veios e vênulas de quartzo-muscovita-clorita-pirita-ouro. Os dados de geotermômetro da clorita apontam temperaturas entre 340 e 370°C para esse sistema. No estágio principal da mineralização, o ouro ocorre incluso em pirita ou preenchendo veios e/ou vênulas de sulfeto maciço ou de quartzo-sulfetos ricos em sulfetos de cobre e bismuto. Dados do geotermômetro da clorita e da microtermometria das inclusões fluidas indicam condições de T entre 325 e 380°C como o principal intervalo de temperatura da mineralização do depósito. A ocorrência de inclusões aquosas contemporâneas com o fluido aquoso-carbônico de alta temperatura, além dos estágios de homogeneização para o vapor e para o líquido, indicam a imiscibilidade do fluido e/ou mistura de fluidos quentes e mais salinos com fluidos provenientes de fontes meteóricas, mais frias. Fluidos ricos em H2O-NaCl-CaCl2, contemporâneos à carbonatação tardia, foram aprisionados em temperaturas com intervalo principal de 200–250 °C. Os dados de isótopos estáveis de oxigênio em quartzo mostraram intervalo entre 9 e 12,6‰, e os dados isotópicos do fluido estão entre 3,11 e 7,86‰. Para o enxofre, o δ34Spy mostra intervalos de -1,4 a +0,1‰. Em ambos os casos, os fluidos são remetidos à origem magmática no depósito Raimunda. A coexistência de inclusões fluidas aquosas e aquocarbônicas de alta temperatura revela uma mistura de fluidos quentes de média salinidade com fluidos mais frios e de baixa salinidade. O ouro foi inicialmente transportado como complexos cloretados em fluido de alta temperatura, de salinidade média, ácido e oxidado, provenientes da câmara magmática, e mais tarde como complexos de H2S-. A instabilidade físico-química durante a subida do fluido é interpretada como um fator desencadeante da precipitação do minério. Esses resultados oferecem informações valiosas sobre a gênese dos depósitos de Au-pórfiro e as suas implicações para a prospecção mineral no sul do Craton Amazônico.