Caracterização e evolução metalogenética das mineralizações auríferas nos prospectos Rosa de Maio, Bandeirantes e Maués, Província Mineral do Tapajós, sudeste do estado do Amazonas
Cráton Amazônico; Província Mineral Tapajós; Petrogênese de granitos; Orosiriano; Depósito aurífero hospedado em granito;
A Província Mineral do Tapajós (PMT) hospeda diversos depósitos de Au(- Cu-Mo) na porção centro-sul do Cráton Amazônico (norte do Brasil), alguns dos quais são reconhecidos como parte de sistemas do tipo pórfiro-epitermal, associados tanto ao magmatismo de arco da sequência magmática mais antiga (older magmatic sequence, 2,0–1,95 Ga) quanto ao magmatismo pós-colisional a anorogênico da sequência magmática mais jovem (younger magmatic sequence, 1,90–1,86 Ga), que inclui a Suíte Parauari (PAR, 1,89–1,87 Ga). Os depósitos auríferos Rosa de Maio, Bandeirantes e Maués, que são associados à PAR, possuem evolução magmático-hidrotermal e fertilidade em ouro ainda pouco estudadas. Neste estudo, investigamos esse magmatismo fértil e apresentamos novos dados de litogeoquímica, química mineral, espectroscopia Mössbauer em biotita, geocronologia U-Pb em zircão e monazita, geocronologia Ar-Ar em muscovita, além de dados isotópicos de Sm-Nd e enxofre de minérios e rochas hospedeiras. Cristalização fracionada teve papel fundamental na evolução magmática das rochas hospedeiras, que se diferenciaram de magmas parentais tonalíticos/granodioríticos para magmas monzo-/sienograníticos com biotita e sienograníticos/álcali-feldspato graníticos com muscovita. As razões Fe³⁺/Fe²⁺ estimadas por espectroscopia Mössbauer em biotita magmática indicam condições de fugacidade de oxigênio acima do buffer NNO. A intrusão dos plútons Bandeirantes e Rosa de Maio se deu por volta de 1907 Ma e 1890 Ma, respectivamente, em um contexto tardi- a pós-colisional, após um período de magmatismo de arco controlado por subducção. Dados isotópicos de neodímio revelam que as fontes do Granito Rosa de Maio (GRM) envolvem contribuições tanto de material juvenil quanto de rochas crustais do embasamento. Saturação magmática em sulfetos, um possível fator controlando as baixas razões Cu/Au, pode ter sido um fator de primeira ordem sobre a fertilidade aurífera do GRM. A evolução hidrotermal do depósito Rosa de Maio é representada pela seguinte sequência de estágios de alteração hidrotermal: sódica, potássica, propilítica, sericítica e silicificação. A mineralização aurífera está associada à alteração sericítica fissural a pervasiva e às zonas de silicificação essencialmente fissurais, ocorrendo em veios de quartzo-sericita ricos em sulfeto e quartzo-sulfeto, bem como disseminada nas zonas alteradas. Nas paragêneses sericíticas e de silicificação, o ouro está espacialmente associado a sulfetos, predominantemente pirita. Dados geoquímicos de rocha total revelam correlação positiva entre Au e Fe, Cu, Bi, As e Pb. Muscovita proveniente de um veio de quartzo relacionado ao estágio de silicificação forneceu uma idade de plateau 40Ar/39Ar de 1808,3 ± 7,1 Ma, interpretada como idade de resfriamento do sistema magmático-hidrotermal ou como resultado de um reequilíbrio isotópico causado por um evento térmico mais jovem. Análises isotópicas de enxofre em pirita de alteração sericítica e silicificação apresentaram valores de δ34S entre +0,5 e +1,3‰, interpretados como indicativos de uma fonte de enxofre predominantemente magmática. O ouro no sistema hidrotermal foi transportado provavelmente na forma de complexos sulfetados, e a sulfetação de minerais portadores de Fe nas rochas hospedeiras causou a coprecipitação de ouro e sulfetos (principalmente pirita). Embora o depósito Rosa de Maio compartilhe algumas características com sistemas do tipo intrusion-related, interpretamos que ele está mais associado a depósitos do estilo pórfiro ricos em ouro.