GEOLOGIA, GEOQUÍMICA E MINERALIZAÇÃO DE SULFETOS DE NI-CU NAS INTRUSÕES MÁFICO-ULTRAMÁFICAS DE NIKOLAUZ (HUÁNUCO, PERU): EVIDÊNCIAS DE UM SISTEMA DE CONDUTO MAGMÁTICO DINÂMICO GONDWÂNICO NA CORDILHEIRA ORIENTAL OROGÊNICA DOS ANDES PERUANOS
intrusão Nikolauz, Ni-Cu sulfetos, ambientes orogênicos, geoquímica de traços.
Ambientes orogênicos representam um espaço de busca subexplorado para depósitos de Ni-Cu-EGP em escala global. A intrusão máfico-ultramáfica de Nikolauz, localizada na Cordilheira Oriental do Peru, é um dos poucos sistemas de conduto mineralizados em sulfetos de Ni-Cu relatados dentro do terreno orogênico andino. Ela forma corpos alongados, com até 4 km de comprimento, compostos por rochas gabroicas cortadas por intrusões ultramáficas, hospedados em xistos metamórficos do Complexo Marañón. Apesar da alteração penetrante de olivina–piroxênio–plagioclásio ígneos, as texturas magmáticas estão amplamente preservadas, revelando corpos tubulares com zoneamento bem desenvolvido, consistindo em dunito adcumulate no núcleo, passando para peridotito, piroxenito e gabro em direção às margens.
A mineralização de Ni-Cu ocorre nas rochas ultramáficas como sulfetos disseminados, texturas blebby e agregados em rede. Geoquímica de rocha total (MgO > 35% em peso; Cr > 2500 ppm) e petrografia indicam que a intrusão consiste predominantemente em cumulatos de olivina, piroxênio e plagioclásio variavelmente alterados, sendo o dunito o principal tipo de rocha ultramáfica. Essas rochas são enriquecidas em elementos calcófilos (Ni: 2500–6000 ppm; Pd+Pt: 20–150 ppb) e exibem razões elevadas de Cu/Zr (>100) e Ni/MgO (>50) em rochas portadoras de sulfetos. A sistemática da geoquímica de elementos-traço revela que as rochas ultramáficas apresentam altas razões LREE/MREE (La/Sm > 5), enquanto a suíte máfico-ultramáfica possui afinidade cálcio-alcalina (MgO/FeOt = 0,5–0,8; La > Nb; Th/Yb = 0,1–10; [Nb/Th]PM < 1).
A geocronologia U–Pb em zircão fornece idades de cristalização entre 312 e 323 Ma, vinculando o magmatismo de Nikolauz a um evento gondwânico tardio a pós-compressivo, evidenciado por sua relação de corte com as foliações regionais famatinianas e pelo desenvolvimento de uma foliação local durante o alojamento. As evidências geológicas e geoquímicas apontam para fusão parcial de uma fonte mantélica piroxenítica durante descompressão litosférica, provavelmente desencadeada por slab break-off nos estágios finais da orogenia. O reconhecimento de um sistema de conduto dinâmico mineralizado em sulfetos de Ni-Cu em um ambiente orogênico paleozoico, agora exposto na Cordilheira Oriental do Peru, ressalta o potencial para depósitos semelhantes no domínio andino.