Banca de DEFESA: INGRID DE SOUZA HOYER

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : INGRID DE SOUZA HOYER
DATA : 27/02/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Laboratório de Videoconferência e Teams
TÍTULO:

Assinaturas química e mineralógica de inclusões minerais em diamantes do Distrito Diamantífero Rio Garças, Mato Grosso


PALAVRAS-CHAVES:

Diamantes litosféricos, Guiratinga, química mineral, Raman, FTIR, XRD


PÁGINAS: 95
RESUMO:

Guiratinga está localizada na margem sudeste do Cráton Amazônico, no interior da Província Sunsás-Aguapeí, um orógeno colisional mesoproterozoico que registra processos de acresção crustal relacionados à subducção durante a consolidação do Rodínia. Diamantes litosféricos do Distrito Diamantífero do Rio Garças (DDRG; Mato Grosso, Brasil), foram investigados por meio de espectroscopia Raman, FTIR e difração de raios X síncrotron (DRX-S), complementados por análises quantitativas de elementos maiores (microssonda eletrônica) e traço (LA-ICP-MS) de inclusões minerais. No total, 89 diamantes foram selecionados com o objetivo de identificar as inclusões minerais aprisionadas. Espectros de Raman contendo picos diagnósticos de olivina, ortopiroxênio, granada, anfibólio, epidoto, plagioclásio, quartzo, e hematita foram obtidos para 23 diamantes. Por DRX-S, além da confirmação da presença de olivina e granada, adicionalmente foram identificados coesita, (flúor)flogopita e cianita em 3 diamantes. As análises de microssonda eletrônica e de LA-ICP-MS foram obtidas a partir da quebra dos diamantes, que permitiu a recuperação de 3 cristais de olivina (forsterita), 2 de ortopiroxênio (enstatita), 2 de anfibólio (Mg-hornblenda), 1 de plagioclásio (albita), 4 de quartzo e 1 de epidoto. O caráter magnesiano da olivina (Mg# = 92-93) e da enstatita (En94-95; Mg# = 0,94-0,95) indica que o manto litosférico cratônico abaixo de Guiratinga possui composição harzburgítica fortemente empobrecida. A ocorrência de Mg-hornblenda, clinozoisita/epidoto, plagioclásio sódico, quartzo e cianita, associada à presença de hematita, indica que o manto litosférico registrado por essas inclusões foi afetado por retrometamorfismo hidratado em condições oxidantes, claramente fora do campo de estabilidade do diamante. A Mg-hornblenda apresenta padrão empobrecido de REE (Ce/YbN = 0,50-0,64), com anomalia positiva de Eu (Eu/Eu* = 1,38-1,97) e comportamento variável de Nb-Ta no diagrama multielementar, alternando entre empobrecimento e enriquecimento. Essa variação sugere que o mineral primário, interpretado como clinopiroxênio, foi afetado por metassomatismo silicático e por metassomatismo silicático com contribuição carbonatítica subordinada, respectivamente, interpretação corroborada pelas razões Ca/Al mais baixas no primeiro (1,66-1,85) e mais elevadas no segundo (3,50-6,80). A albita exibe enriquecimento em LREE (Ce/YbN = 3,28), além de anomalias positivas de Pb e Sr, sendo interpretada como produto do retrometamorfismo de clinopiroxênio rico em Na2O, como jadeíta/onfacita. Essa relação aponta para um protólito eclogítico, possivelmente associado à reciclagem de crosta oceânica subductada no manto litosférico cratônico. O epidoto/clinozoisita, por sua vez, apresenta padrão de REE enriquecido (Ce/YbN = 5,22), anomalia positiva de Eu (Eu/Eu* = 1,74), enriquecimento em Pb e Sr e anomalias negativas de HFSE (Zr-Hf-Ti), reforçando sua interpretação como fase retrógrada tardia, derivada da transformação de clinopiroxênio ou granada cálcica (grossulária) durante descompressão, hidratação e oxidação. Nesse contexto, a presença de quartzo e cianita como inclusões em diamantes é interpretada como resultado do reequilíbrio pós-aprisionamento de uma assembleia eclogítica rica em Al-Si. Em particular, a desestabilização de clinopiroxênio jadeítico em albita + quartzo, associada à transformação retrógrada de granada rica em Al em cianita ± clinozoisita, fornece uma explicação integrada e coerente para a associação mineralógica observada. Por fim, a formação de flogopita está associada à presença de voláteis no manto, que representa metassomatismo por subducção ou relacionado à líquidos de origem astenosférica (ex. proto-kimberlítico ou carbonatítico). Os estados de agregação de nitrogênio determinados por FTIR mostram predominância de diamantes Tipo IaAB-IaB, abrangendo amplas concentrações de N (10-870 ppm) e distribuição bimodal dos centros B, consistente com histórias térmicas e tempos de residência variáveis no manto litosférico. Em geral, as estimativas de temperaturas de residência (Tres), definidas a partir da cinética de agregação de N, indicam elevada geoterma assumindo distintos tempos de residência: ~1070-1320 °C para 100 Ma, ~1120-1340 °C para 500 Ma, ~1150-1360 °C para 1 Ga e ~1180-1370 °C para 3 Ga. Esses resultados refinam modelos atuais para o manto litosférico sob o Brasil central, demonstram heterogeneidade composicional e redox na quilha mantélica do DDRG e fornecem novas restrições sobre os processos tectono-metassomáticos que governaram a formação de diamantes na região de Guiratinga.


MEMBROS DA BANCA:
Externo ao Programa - 3291096 - CAIO ARTHUR SANTOS - nullInterno - 1336460 - FEDERICO ALBERTO CUADROS JIMENEZ
Externo à Instituição - ROGÉRIO GUITARRARI AZZONE - USP
Presidente - 1069348 - TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
Notícia cadastrada em: 02/02/2026 13:54
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