MICROFÓSSEIS DE PAREDE ORGÂNICA DO MESOPROTEROZOICO DA BACIA ALTO TAPAJÓS, REGIÃO AMAZÔNICA, BRASIL: IMPLICAÇÕES CRONOESTRATIGRÁFICAS E DE MATURIDADE TÉRMICA
microfósseis de parede orgânica; Mesoproterozoico; Bacia Alto Tapajós; Cráton Amazônico; cronoestratigrafia; maturidade térmica
A bacia Alto Tapajós está localizada na porção sudoeste do Craton Amazônico e permanece pouco documentada na literatura científica. Seu arcabouço estratigráfico permanece debatido, com várias unidades litoestratigráficas e atribuições estratigráficas propostas. Quanto à cronoestratigrafia, o único estudo paleontológico disponível para a bacia atribuiu suas unidades basais ao Siluriano. A presente tese documenta a primeira ocorrência de microfósseis de parede orgânica do Mesoproterozoico na bacia e apresenta uma análise integrada combinando dados micropaleontológicos, geocronológicos e de maturidade térmica. A sucessão estudada inclui um intervalo fosfático-glauconítico com características geológicas e geoquímicas que sugerem deposição em ambientes marinhos rasos com condições redox variáveis. O material analisado compreende amostras de três sondagens na região de Apuí, Estado do Amazonas, com caracterização micropaleontológica detalhada, com foco na sondagem L4F3. Nove espécies de microfósseis de parede orgânica foram recuperadas: Leiosphaeridia jacutica (Timofeev, 1966) Mikhailova e Jankauskas em Jankauskas et al., 1989, Leiosphaeridia tenuissima Eisenack, 1958, Valeria lophostriata (Jankauskas, 1979), Plicatidium latum Jankauskas, 1980, Taenitrichoides jaryschevicus Asseeva, 1983, Siphonophycus gigas Tang et al., (2013), Siphonophycus punctatum Maithy, 1973, emend. Buick & Knoll, 1999, Trachyhystrichosphaera sp., Dictyosphaera sp. Esta assemblagem caracteriza-se por baixa diversidade e é dominada por esferomorfos, especificamente Leiosphaeridia spp. O registro desta assemblagem inclui espécies com significado cronoestratigráfico, tais como: Valeria lophostriata, Taenitrichoides jaryschevicus, Plicatidium latum, Dictyosphaera sp. e Trachyhystrichosphaera sp. A ocorrência dessa assemblagem é consistente com registros mesoproterozoicos documentados globalmente e corrobora uma idade aproximada de 1,45 Ga, conforme obtida por meio de datação in situ Rb–Sr em glauconita. A maturidade térmica foi avaliada por meio de três abordagens independentes: espectroscopia Raman de material carbonáceo, medido diretamente em microfósseis de parede orgânica; Índice de Alteração Termal em Acritarcas; e cristalinidade da illita, expressa como Índice de Kübler. A espectroscopia Raman de material carbonáceo fornece estimativas de paleotemperatura máxima entre 213 e 263 °C (±30 °C). Os valores de cristalinidade de illita indicam condições amplamente compatíveis com a diagênese tardia à anquizona incipiente, enquanto os resultados do Índice de Alteração Termal de Acritarcas são uniformes e correspondem à classe 3,0. Conjuntamente, esses resultados indicam maturidade térmica avançada e demonstram que a preservação de microfósseis permanece suficiente para a identificação taxonômica. Por fim, esta tese contribui para preencher uma lacuna geográfica significativa no registro de microfósseis do Mesoproterozoico da América do Sul e avança a compreensão da evolução sedimentar no Cráton Amazônico.