GEOQUÍMICA, GEOCRONOLOGIA E FERTILIDADE MAGMÁTICA DO ARCO MAGMÁTICO GOIÁS: SEGMENTO ANICUNS-ITABERAÍ
Zircão, apatita, Arco Magmático Goiás, Fertilidade Magmática
O Arco Magmático Goiás (AMG), um orógeno juvenil neoproterozóico na região central do Brasil com idade estimada entre 930 e 490 Ma, abriga importantes mineralizações de pórfiro de Cu-Au, sulfetos maciços vulcânicos (VMS) e ouro orogênico, tornando-o um cinturão metalogenético promissor na América do Sul. Porém, enquanto nos segmentos Mara Rosa e Arenópolis estes depósitos já são conhecidos e bem documentados, no segmento Anicuns-Itaberaí, na porção sul do AMG, ainda possui potencial metalogenético pouco explorado, com lacunas a serem preenchidas. Este trabalho realiza uma investigação de forma integrada e multi-proxy, com o objetivo de avaliar como a fertilidade magmática evolui ao longo da história tectônica do arco, para oito unidades litoestratigráficas pertencentes aos quatro estágios tectônicos do AMG: estágio de arco de ilha (ortognaisse Sanclerlândia e anfibolitos de Anicuns-Itaberaí/Córrego da Boa Esperança), arco vulcânico (granitos Choupana, Lage e Córrego do Lavrinha), transicional/sin-colisional (Complexo Córrego Seco) e pós-colisional (granito Jussara). Foram realizadas análises petrográficas, geoquímicas e isotópicas, incluindo geoquímica de rocha total, química mineral de plagioclásio, anfibólio, biotita, apatita e epidoto, geocronologia de U-Pb e elementos-traço em zircão e apatita, isótopos de Sm-Nd em rocha total, além de termocronologia de baixa temperatura em apatita (traços de fissão). Os resultados indicaram uma longa história de evolução, metamorfismo e exumação no segmento, com idades que variam entre 886 e 310 Ma, relevando fontes predominantemente juvenis (εNd(t) = +4,2 a +4,7; TDM = 0,96–1,07 Ga), com exceção do granito pós-colisional Jussara (εNd(t) = –22,4; TDM = 2,2 Ga). A integração de dados geoquímicos e isotópicos (razões Sr/Y, La/Yb e V/Sc da rocha total, combinadas com Eu/Eu*, Ce/Ce* e a sistemática de halogênios em apatita) identificou resultados promissores em relação aos estágios de arco de ilha e pós-colisional, indicando-os como as janelas tectônicas mais promissoras para a mineralização do tipo pórfiro Cu-Au.