Geodinâmica do Intemperismo e Formação de Depósitos Supergênicos no Complexo Alcalino-Carbonatítico de Serra Negra (MG)
Complexo Alcalino-Carbonatítico de Serra Negra; intemperismo tropical; perfis de intemperismo; mineralizações supergênicas; fosfato; titânio; elementos terras raras.
O Complexo Alcalino–Carbonatítico de Serra Negra, inserido na Província Ígnea do Alto Paranaíba (PIAP), corresponde a um sistema multiepisódico do Cretáceo Superior, constituído por dunitos, piroxenitos /bebedouritos, foscoritos e carbonatitos cálcicos e magnesianos. A evolução do complexo envolveu processos sucessivos de cristalização fracionada, imiscibilidade e diferenciação magmática, responsáveis pela distribuição primária de apatita, perovskita, magnetita–ilmenita, barita, pirocloro e minerais portadores de elementos terras-raras (ETR). Sob condições de intemperismo tropical prolongado, esses protólitos deram origem a espessos perfis lateríticos com potencial para mineralizações de P, Ti, Nb e ETR.
O presente Exame de Qualificação de Doutorado reúne os resultados parciais da pesquisa “Geodinâmica do Intemperismo e Formação de Depósitos Supergênicos no Complexo Alcalino-Carbonatítico de Serra Negra (MG)” e está organizado em dois eixos complementares. O primeiro aborda a evolução mineralógica e geoquímica de perfis de intemperismo desenvolvidos sobre protólitos distintos, com foco nos mecanismos de mobilidade, retenção e concentração relativa de P, Ti, Nb e ETR. O segundo, busca integrar dados geoquímicos, análise fatorial, aerogeofísica e controle morfoestrutural para avaliar a distribuição espacial das assinaturas associadas às mineralizações supergências em escala de complexo.
Em Serra Negra, o intemperismo não produz um padrão único de enriquecimento vertical, mas reorganiza seletivamente a assinatura mineralógica herdada dos diferentes protólitos. A concentração de P, Ti, Nb e ETR depende da estabilidade e transformação de fases como apatita, perovskita, anatásio, fosfatos secundários e óxidos Fe–Ti, cuja importância varia entre dunitos, piroxenitos e carbonatitos. Assim, embora Serra Negra compartilhe processos típicos de depósitos supergênicos desenvolvidos sobre complexos alcalino-carbonatíticos, sua organização mineralógica e geoquímica evidencia que modelos regionais devem incorporar a arquitetura magmática, a mineralogia herdada e a trajetória intempérica específica de cada domínio litológico.