Banca de QUALIFICAÇÃO: JOÃO PEDRO SANTOS DE BRITO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JOÃO PEDRO SANTOS DE BRITO
DATA : 14/08/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala de Videoconferências do IG/UnB
TÍTULO:

Carbonatos relacionados à atividade hidrotermal no Rio Grande do Norte: interação de geofluidos com o embasamento cristalino


PALAVRAS-CHAVES:

Interação fluido-rocha, problema da dolomita, travertinos, mineralização de carbono, magnesita, rochas máfico-ultramáficas


PÁGINAS: 139
RESUMO:

O sistema de travertinos do Cabugi está localizado na porção central do Estado do Rio

Grande do Norte, nordeste do Brasil, nas proximidades do município de Lajes, e

representa um sistema carbonático relacionado ao magmatismo Macau, de idade

Cenozóica. Este estudo apresenta a primeira investigação sistemática do sistema de

travertinos do Cabugi, incluindo observações de campo, análises petrográficas,

difratometria de raios X, microssonda eletrônica, avaliação quantitativa de minerais por

microscopia eletrônica de varredura e dados de catodoluminescência. Os resultados

revelam dois subsistemas deposicionais paralelos, ricos em Mg e com direção NW,

denominados F1 e F2, desenvolvidos ao longo de lineamentos tectônicos. O sistema F1

inclui uma zona proximal essencialmente dolomítica. Essa porção compreende

travertinos em forma de domo, do tipo fissure-ridge, com laminações concêntricas e

verticais, brechas hidráulicas e tectônicas, e intensa alteração diagenética, refletindo forte

interação fluido–rocha pós-deposicional. A área intermediária do sistema F1 também é

predominantemente dolomítica, composta por travertinos laminados e fácies mistas

carbonato–siliciclásticas com gretas de ressecamento e rizoturbação, indicando exposição

subaérea episódica e retrabalhamento detrítico. O sistema F2 apresenta uma porção

proximal que corresponde a uma fábrica carbonática subaquosa, alcalina, rica em Mg e

associada a condutos de surgência hidrotermal. Nesse ambiente, fluidos hidrotermais

interagindo com atividade microbiana formaram boundstones de dolomita e magnesita,

brechas tectônicas e rudstones intraclásticos sob influência de desgaseificação de CO₂ e

atividade sísmica. Na porção distal, o sistema F2 transiciona para um ambiente raso e

marginal dominados por atividade microbiana, produzindo trombólitos de dolomita e

magnesita. A dolomita é a fase primária predominante no sistema F1, ocorrendo como

dolomita sindeposicional com grau intermediário de ordenamento catiônico e composição

estequiométrica ou aproximadamente estequiométrica. Em contraste, a magnesita é a fase

primária dominante nos carbonatos do sistema F2, sendo parcialmente substituída por

dolomita eodiagenética estequiométrica ou aproximadamente estequiométrica, também

com grau intermediário de ordenamento catiônico. A abundância de dolomita e magnesita

como fases minerais primárias indica elevado suprimento de Mg e altas razões Mg/Ca,

derivados do magmatismo basáltico ativo e da interação de fluidos hidrotermais com

rochas máfica-ultramáficas do embasamento. Por outro lado, a presença de dolomita rica

em Ca, calcita, barita e polimorfos de sílica como fases diagenéticas tardias sugere

enriquecimento em Ca, Si e Ba no fluido, além de empobrecimento em Mg e redução

progressiva da razão Mg/Ca ao longo da evolução geoquímica do sistema. Isso está

provavelmente relacionado a um estágio diagenético tardio, ocorrido durante o

enfraquecimento progressivo do magmatismo basáltico e após eventos de dolomitização

secundária. Nessa etapa, houve contribuição de fluidos meteóricos epigênicos pobres em

Mg e de fluidos hidrotermais hipogênicos que, ao longo do tempo, passaram a interagir

mais intensamente com rochas gnáissicas siálicas do embasamento, reduzindo a

lixiviação e contribuição de rochas máficas no sistema de travertinos do Cabugi.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - AUGUSTO SARREIRO AULER - IC
Externo ao Programa - 1297259 - CARLOS JORGE DE ABREU - nullExterno à Instituição - EMILIANO CASTRO DE OLIVEIRA - UNIFESP
Interno - 2339865 - MARTINO GIORGIONI
Presidente - 418662 - ROBERTO VENTURA SANTOS
Notícia cadastrada em: 27/07/2026 15:44
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