Mineralização Aurífera associada aos veios quartzocarbonáticos hospedados na Faixa Araés, Nova Xavantina, Mato Grosso, Brasil
depósito Araés Au-Ag; Zona de Cisalhamento Araés; controle estrutural; mineralização aurífero-argentífera; ore shoots; Faixa Paraguai
O depósito Araés (Au–Ag), localizado em Nova Xavantina (MT), insere-se na Faixa Paraguai, uma província neoproterozoica caracterizada por tectônica compressiva do tipo dobramentos e cavalgamentos e metamorfismo de baixo grau. A mineralização é hospedada principalmente em um sistema de veios de quartzo rico em sulfetos, laminado e controlado por zona de cisalhamento, com destaque para a Zona de Cisalhamento Araés e sua história deformacional polifásica. Este trabalho investiga a relação entre evolução estrutural, tipologias de minério e distribuição de teores, integrando observações de campo, caracterização petrográfica/textural e abordagens de modelagem espacial e geoestatística. São reconhecidas tipologias de minério associadas a diferentes arquiteturas e mecanismos de formação, incluindo veios de quartzo laminados, veios extensionais maciços, veios quartzo-carbonáticos, brechas carbonosas e rochas cataclásticas, registrando episódios de injeção de fluido e processos do tipo crack-seal, além de reativações e reconfigurações mecânicas em múltiplos estágios. A análise estrutural e espacial indica que a concentração de ouro ocorre de forma preferencial em zonas (oreshoots) com orientação controlada por elementos da trama deformacional, e que a distribuição de elementos metálicos acessórios apresenta padrões compatíveis com zonamento e/ou compartimentação estrutural. Por fim, discute-se a aplicabilidade de modelos clássicos de ciclagem fluido-pressão (fault-valve) e alternativas baseadas em acoplamento químico-mecânico e falhamento em regime compressivo, destacando implicações para vetores de exploração e priorização de alvos em escala de mina e distrito.