Banca de DEFESA: Carolinna da Silva Maia de Souza

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Carolinna da Silva Maia de Souza
DATA : 13/09/2024
HORA: 08:00
LOCAL: Sala de Videoconferência do IGD e TEAMS
TÍTULO:

Evolução geológica da estrutura de impacto de Araguainha: gênesis e colocação das brechas de impacto

 
 

PALAVRAS-CHAVES:

Estrutura de impacto de Araguainha, Brechas de impacto, Faixa Paraguai, Bacia do Paraná

 
 

PÁGINAS: 363
RESUMO:

Crateramento por impacto é um processo geológico que desempenha um papel fundamental na formação do sistema solar e dos planetas terrestres. Durante este processo, diversas rochas são produzidas e/ou modificadas pelo impacto, tais como rochas-alvo chocadas e brechas de impacto (ex., rochas derretidas por impacto, brechas monomíticas e polimíticas de impacto). No Brasil, a estrutura de impacto de Araguainha foi a primeira reconhecida e ainda é considerada a maior estrutura de impacto preservada da América do Sul, com 40 km de diâmetro. Localizada na parte central do Brasil, no limite dos estados de Mato Grosso e Goiás, Araguainha foi formada próximo ao limite Permiano-Triássico (~254 Ma) e atingiu a porção nordeste da Bacia do Paraná, escavando todo o pacote sedimentar até o embasamento. Trata-se de uma estrutura de impacto do tipo complexa, que possui o núcleo central soerguido preservado (16 km de diâmetro), onde rochas-alvo chocadas e brechas de impacto são bem expostas. Esta tese de doutorado busca contribuir para a compreensão da evolução geológica e para o conhecimento das brechas de impacto no núcleo central soerguido. Para isso, dados obtidos a partir de descrições de campo, amostras de mão e lâminas, análises qualitativas por meio de escaneamento por microfluorescência de raio-x, avaliação quantitativa de minerais por microscopia eletrônica de varredura e difração de raio-x, análises químicas de rocha total e análises isotópicas de Sm-Nd e U-Pb levaram à obtenção de avanços na caracterização da estrutura de impacto de Araguainha, tais como o entendimento da relação de contato geológico entre as rochas que afloram no núcleo central soerguido, a caracterização e definição das brechas de impacto, a compreensão da formação dessas brechas e a proveniência das brechas de impacto e das rochas-alvo chocadas do embasamento. Novos afloramentos foram expostos ao longo da estrada MT-100 devido à pavimentação dessa rodovia, o que possibilitou aprimorar o estudo. Entre os principais avanços, destacam-se: 1) As rochas atribuídas ao embasamento metassedimentar mostraram-se muito mais extensas e heterogêneas em litologias do que as previamente descritas. Além de rochas metamórficas previamente identificadas, também foram observadas unidades não metamorfizadas. 2) As brechas polimíticas de impacto estão sempre em contato direto com as rochas do embasamento metassedimentar por diferentes mecanismos (ex., falhas, injeção, preenchimento, assentamento). Os componentes das brechas estão associados às unidades inferiores das rochas-alvo. Os clastos são principalmente derivados do embasamento metassedimentar e das unidades basais da Bacia do Paraná, com raras ocorrências de granito

alcalino. A matriz tem caráter sedimentar, semelhante às unidades inferiores da bacia, apoiado pelo estudo de proveniência. 3) Foram identificados três tipos de rochas derretidas por impacto com diferentes relações de campo: Tipo I, de composição granítica, ocorrendo como veios e diques no núcleo do granito alcalino; Tipo II, em forma de clasto deformado de composição altamente silicosa na brecha polimítica de impacto; Tipo III, conglomerado ou arenito parcialmente derretido que ocorre em determinados locais como um anel nos estratos metassedimentares do embasamento ao redor do núcleo de granito alcalino. Propomos que as rochas do Tipo II e III foram formadas no estágio inicial de escavação como a primeira fase de fusão em Araguainha, por fusão por choque. O Tipo I representa uma brecha pseudotaquilítica formada por fusão por descompressão durante o soerguimento e o colapso da fase de modificação, e as brechas polimíticas de impacto foram formadas dentro da cavidade transitória durante o estágio de escavação. Um modelo multiestágio é proposto para a origem e colocação dessas brechas em Araguainha. As análises de proveniência em zircão mostraram que as principais rochas precursoras das brechas polimíticas de impacto e das rochas metassedimentares são semelhantes à sequência inferior da Bacia do Paraná e podem estar relacionadas com a sedimentação em bacias proximais ao Arco de Arenópolis. Nossos dados ressaltam o nível de erosão sofrido pela estrutura após o impacto, em que a configuração das brechas polimíticas de impacto está relacionada à topografia do fundo da cratera, ou seja, as brechas são produtos de preenchimento de crateras bem preservadas e representam material que nunca deixou a cratera. Além disso, sugere-se uma profundidade máxima de penetração do bólido provavelmente na interface entre a sequência mais baixa da Bacia do Paraná e o embasamento (meta)sedimentar. Este estudo traz avanços e expande o conhecimento sobre a estrutura de impacto de Araguainha e seus produtos (ex., brechas de impacto), contribuindo significativamente para a geologia regional e local, além de abrir caminho para futuras investigações.

 
 

MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ALVARO PENTEADO CROSTA - UNICAMP
Externa à Instituição - CLAUDIA REGINA PASSARELLI - USP
Externo ao Programa - 2156153 - ELDER YOKOYAMA - nullInterno - 1303786 - ELTON LUIZ DANTAS
Interna - 1897668 - NATALIA HAUSER
Notícia cadastrada em: 02/09/2024 15:10
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