OS DEPÓSITOS DE JATOBÁ E ONÇA ROSA, PROVÍNCIA MINERAL DE CARAJÁS, BRASIL: DISCUSÕES GENÉTICAS SOBRE MINERALIZAÇÕES EM SISTEMAS IOCG RICOS EM NI.
Domínio Carajás, IOCG, Magnetita, Sulfetos de Ni, Lu-H.
O Neoarqueano-Proterozoico Domínio Carajás, localizado no centro-norte do Brasil, abriga uma diversidade de depósitos minerais. Entre eles, e de grande relevância econômica, estão os da classe de óxido de ferro–cobre–ouro (IOCG). A gênese e a cronologia desses depósitos são temas de intenso debate, com evidências e interpretações frequentemente conflitantes na literatura. Esta tese aborda os mecanismos e o momento da formação de minério em duas mineralizações IOCG enriquecidas em Ni. O prospecto Jatobá e o corpo de minério Onça Rosa, localizado no campo mineral de Jaguar, situam-se no cinturão cuprífero sul da Província Mineral de Carajás. Diferentes contextos geológicos envolvem os dois sistemas. Enquanto Jatobá está hospedado em sequências vulcânicas bimodais do Grupo Grão Pará, de idade Neoarqueana, localizadas ao longo de estruturas E-O pertencentes à zona de cisalhamento Canaã dos Carajás, Onça Rosa é um corpo mineral com alto teor de Ni, hospedado em granitos em contato com unidades máficas/ultramáficas do Complexo Máfico-ultramáfico Acamadado do Puma. Este estudo aplicou várias técnicas investigativas modernas e inovadoras para caracterização mineralógica e geoquímica detalhada, em escalas nanométrica e micrométrica. Coletivamente, novas interpretações foram possibilitadas, com implicações para a exploração mineral e o aproveitamento de recursos em toda a região. A magnetita é o principal mineral dos depósitos de Jatobá e Onça-Rosa. Em Jatobá, intercrescimentos polissomáticos entre anfibólios e piribólios não-comuns (NCPs) foram identificados como inclusões na magnetita, sugerindo uma evolução com múltiplos estágios de formação. Duas populações de anfibólios foram registradas, entre eles a ferrotschermakita, que indica formação sob pressões de até 7,5 kbar. A presença de elementos do grupo da platina (PGE), em minerais como merenskyita, sudburyita e kotulskita, reinforçãm o modelo genétio em dois estágios, no qual a mineralização de estilo IOCG foi superposta a uma assembleia preexistente, resultando nas texturas observadas de dissolução parcial, substituição, remobilização e sobreposição. A análise da magnetita revelou duas variedades distintas: uma magnetita do tipo ‘treliça’ (das rochas encaixantes) e uma ‘mosqueada’ por silicatos, com transições telescópicas evidenciadas por mudanças texturais e geoquímicas, incluindo enriquecimento em elementos das terras raras. Geotermometria e geobarometria indicam condições de 728 a 414 °C e pressões de 6,4–7,4 kbar, coerentes com formação sob metamorfismo de fácies anfibolito a 20 km de profundidad, possivelmente associado à zona de cisalhamento Canaã dos Carajás. Geocronologia de U-Pb e Lu-Hf em apatitas, permitiu datar o início da mineralização do tipo IOCG em ~2,5 G, com uma atividade hidrotermal tardia em ~2 Ga, sugerindo uma conexão com reativações das zonas de cisalhamento na região. Em Onça-Rosa, a mineralização ocorre como um skarn rico em Fe-Zn-Ni formado por alterações intensas de rochas ultramáficas em contato com um granito sin-cinemático. A mineralização evoluiu de um estágio inicial de skarn magnesiano com magnetita+esfalerita para um estágio posterior de skarn cálcico associado à pentlandita+anfibólio. Uma série de teluretos e sulfossais, e minerais raros de Ni-Bi suportam uma interação entre fluidos hidrotermais e minérios ricos em pentlandita nos contatos com o complexo acamadado da Serra do Puma. Esses achados avançam significativamente o entendimento da formação dos minérios de Ni e PGE em sistemas IOCG na província de Carajás, destacando o potencial exploratório e econômico da região.