Estudo da Transição Eoceno-Oligoceno com foraminíferos bentônicos de ambientes pelágico e nerítico, no testemunho IODP U1507 (Expedição 371) - Mar da Tasmânia
Transição Eoceno-Oligoceno, ambiente nerítico, foraminífero bentônico, Expedição IODP 371, HCA.
A Transição Eoceno-Oligoceno (TEO, ~34 Ma) marcou uma das maiores reorganizações climáticas do registro geológico do planeta. O clima da Terra esfriou e deu início a glaciação em escala continental da Antártica. Esta dissertação investiga as mudanças paleoambientais durante a TEO, por meio da análise de foraminíferos bentônicos do testemunho IODP U1507B (Expedição 371), localizado no Mar da Tasmânia. O testemunho IODP U1507B é caracterizado por uma boa representação da TEO, é um registro muito valioso pois permite reconstruir as variações das assembleias pelágicas e neríticas simultaneamente. O objetivo foi reconstruir as condições paleoclimáticas e paleoceanográficas em ambientes neríticos e pelágicos, utilizando análises taxonômicas, isotópicas e estatísticas (HCA). Buscou-se identificar os principais táxons de foraminíferos bentônicos preservados e seu significado paleoambiental, comparar variações nas assembleias ao longo da sucessão estratigráfica para avaliar os impactos da glaciação da TEO. Além de verificar se os dados isotópicos em foraminíferos bentônicos desses ambientes registram o sinal climático da glaciação. A sucessão sedimentar, composta por carbonatos pelágicos e turbiditos vulcanoclásticos, foi analisada em um intervalo de ~100 m (testemunhos 24R a 34R), com a TEO registrada entre 29R e 30R. A assembleia de foraminíferos bentônicos é representada 21 táxons, sendo Oridorsalis sp., Amphistegina gibbosa e Haynesina depressula os mais abundantes. Dados isotópicos (δ¹³C e δ¹⁸O) foram afetados por diagênese, limitando reconstruções precisas. Três clusters foram identificados: Cluster 3 (base) indica um ambiente nerítico raso com alta produtividade e oxigenação, associado a circulação oceânica mais intensa que antecede a TEO. O Cluster 2 (intermediário) reflete aprofundamento por subsidência tectônica local, com menor oxigenação e maior produtividade, ligado ao início do resfriamento global. E o Cluster 1 (topo) que caracteriza um ambiente nerítico a batial com baixa produtividade e espécies adaptadas a águas frias, consistente com o resfriamento da TEO. Localmente, a paleobatimetria foi controlada por subsidência e vulcanismo da Tonga-Kermadec, o que evidencia um processo de transgressão marinha, contrastando com a regressão eustática global esperada durante a TEO. Enquanto globalmente, a diminuição da temperatura e produtividade alinham-se ao declínio de pCO₂ e à formação de camadas de gelo da Antártica.