SEDIMENTOS CLÁSTICOS ALÓCTONES NO CARSTE TROPICAL: PADRÕES DEPOSICIONAIS EM CAVERNAS DAS PROVÍNCIAS CÁRSTICAS BAMBUÍ E AÇUNGUI
carste, depósito sedimentar, luminescência opticamente estimulada, geoquímica, caverna.
Reconstruções paleoambientais constituem importantes ferramentas para a compreensão da dinâmica das paisagens cársticas. Esses locais são peculiares devido à interação dos processos superficiais e subterrâneos que modificam o relevo, resultando em características únicas. Nesse cenário, as deposições sedimentares em cavernas se destacam por, em muitos casos, estarem atreladas ao nível de base dos rios, e serem capazes de fornecer informações, em escala local e regional, da ordem de milhões de anos, uma vez que os sedimentos estão protegidos das variações externas. No Brasil, apesar da presença ampla de terrenos cársticos e do elevado número de cavidades mapeadas, ainda são escassos os trabalhos nessa perspectiva, especialmente nas províncias cársticas desenvolvidas sobre rochas carbonáticas do Supergrupo Açungui (Vale do Rio Ribeira de Iguape/ São Paulo) e Grupo Bambuí (Área de Proteção Ambiental Nascentes dos Rio Vermelho/ Goiás). Dessa forma, o presente trabalho tem por objetivo analisar a dinâmica paleoambiental e paleohidrológica a partir dos registros de sedimentos clásticos preservados no interior das cavernas tropicais nessas duas províncias, através de dados hidrossedimentares, geoquímicos, geomorfológicos, de deposição e proveniência sedimentar. Dada a complexidade e peculiaridades, foram utilizadas diversas metodologias de análises, como granulometria, geocronologia (Luminescência Opticamente Estimulada), descrição estratigráfica, químicas (ICP-OES, Índices Geoquímicos) e mineralógicas (mineralogia de argilas), a fim de se preencher possíveis lacunas existentes, identificar padrões deposicionais, estabelecer proveniência sedimentar e identificar controles hidrossedimentares. Os resultados demonstram a existência de dois tipos de sedimentos: autóctones e alóctones, no qual este último registra informações que refletem condições superficiais a que foram submetidos, permitindo identificar atividade de intemperismo e características dos fluxos hidrológicos. Em conjunto com dados cronológicos, identificou-se, para o carste do Açungui, uma variação temporal entre as amostras holocênicas superficiais (~4 – 6 ka) e amostras no interior das cavernas, referentes ao Pleistoceno Superior (~30-50 ka). De
modo geral, os dados obtidos demonstram que os sedimentos em cavernas das províncias cársticas do Açungui e Bambuí guardam caraterísticas relevantes e intrínsecas ao ambiente superficial, as quais contribuem para o estudo paleoambiental no contexto de áreas cársticas tropicais e para compreensão da evolução dos sistemas fluviocársticos ao longo do Quaternário.