Estudo da Estrutura da Crosta Superior do Orógeno Araçuaí por meio da Integração de Dados Geofísicos
Orógeno Araçuaí; Inversão de dados potenciais; Contraste de densidade; Suscetibilidade magnética; Heterogeneidade crustal; Cráton do São Francisco
O Orógeno Araçuaí é um dos principais cinturões orogênicos neoproterozoicos da Província Mantiqueira e apresenta arquitetura crustal complexa, resultante de sucessivos processos tectônicos, magmáticos e metamórficos. Apesar dos avanços no conhecimento de sua evolução geodinâmica, a distribuição dos contrastes de densidade e suscetibilidade magnética na crosta superior, bem como sua relação com a paleossutura neoproterozoica proposta e demais estruturas tectônicas, permanecem pouco conhecidas. Esta pesquisa investigou a estrutura da crosta superior do Orógeno Araçuaí por meio da integração de dados gravimétricos e
magnetométricos, combinados com informações geofísicas independentes. Foram utilizados dados de anomalia Bouguer (modelo XGM2019e_2159) e dados magnetométricos (integração de levantamentos aeromagnéticos com o modelo EMAG2), a partir dos quais foram estimadas as distribuições dos contrastes de densidade e suscetibilidade magnética, bem como a geometria e profundidade das principais fontes anômalas. Os modelos foram analisados ao longo de um perfil geofísico que atravessa o Cráton do São Francisco e diferentes compartimentos do orógeno, com interpretação integrada a modelos magnetotelúricos, ao modelo regional de
profundidade da Moho e ao modelo de velocidade de ondas S. Os resultados permitiram individualizar seis domínios geofísicos, definidos por distintos padrões de distribuição dos contrastes geofísicos e variações na profundidade das fontes anômalas, revelando uma crosta superior heterogênea com boa correspondência aos compartimentos geológicos do perfil. Contudo, os modelos não identificaram assinatura geofísica associada à paleossutura proposta, cuja ausência de resposta gravimagnética pode refletir intenso retrabalhamento tectonometamórfico ou preservação em níveis mais profundos, como sugerem os dados magnetotelúricos. Os resultados demonstram que a integração de gravimetria, magnetometria e informações geofísicas independentes contribui para a caracterização da compartimentação e heterogeneidade da crosta superior, embora a investigação do arcabouço profundo e da possível zona de sutura exija métodos sensíveis a níveis crustais mais profundos, como a magnetotelúrica e a sísmica.