Estrutura Sísmica da Litosfera da Porção Norte do Cráton do São Francisco.
Cráton São Francisco; sísmica de refração e reflexão de ângulo amplo; modelagem sísmica; Moho; Aulacógeno do Paramirim
Esta tese apresenta um modelo sísmico da porção norte do Cráton São Francisco, obtido a partir de dados de sísmica de refração e reflexão de ângulo amplo (WARR), com o objetivo de caracterizar a estrutura da litosfera (crosta e manto litosférico) e discutir sua relação com a evolução tectônica regional. A transecta sísmica, possui aproximadamente 715 km de extensão na direção W-E, atravessando de oeste para leste a Sub-bacia Urucuia, a Bacia do São Francisco, o Aulacógeno do Paramirim, terminando sobre o domínio sul do sistema orogênico do leste da Bahia, formado pelos blocos arqueanos Gavião e Jequié e a Faixa Itabuna-Salvador-Curaçá. A modelagem sísmica permitiu determinar a geometria da descontinuidade de Mohorovičić (Moho), construir modelos de velocidades das ondas P para a crosta e o manto litosférico e estimar a distribuição da razão Vp/Vs para a crosta ao longo do perfil. Os resultados evidenciam uma compartimentação litosférica marcada por diferenças na espessura crustal, nas velocidades do manto litosférico e na velocidade média e razão Vp/Vs da crosta, indicando a existência de três domínios sísmicos nomeados de ocidental, central e oriental. Os domínios ocidental e central apresentam características compatíveis com uma litosfera preservada, sustentada por um manto litosférico de alta velocidade, elevada competência mecânica e crosta espessa, enquanto o domínio oriental registra velocidades mantélicas compatíveis com mantos fanerozóicos, crosta delgada e evidências de retrabalhamento crustal sob sistema orogênico do leste da Bahia. O domínio central coincide com o domínio NNW-SSE do Aulacógeno do Paramirim, região de maior espessamento crustal e com baixa razão Vp/Vs, sugerindo uma evolução distinta daquela normalmente atribuída a riftes intracratônicos clássicos. Os resultados
obtidos fornecem novos elementos para a compreensão da arquitetura profunda do Cráton São Francisco e indicam que as propriedades reológicas do manto exerceram papel fundamental na compartimentação litosférica e na evolução tectônica da porção norte do cráton.