A SISMICIDADE DE SETE LAGOAS/MG E A UTILIZAÇÃO DO INFRASSOM COMO FERRAMENTA NA DISCRIMINAÇÃO DE EVENTOS TECTÔNICOS DE EVENTOS ANTROPOGÊNICOS
Monitoramento sismoacústico; duscriminação entre terremotos e explosões; explosões em pedreiras; sismicidade intraplacas; observações infrassônicas;
Este estudo investiga a sismicidade da região de Sete Lagoas (MG, Brasil), com ênfase na discriminação entre eventos sísmicos naturais e explosões em pedreiras. A área, situada no Cráton do São Francisco e marcada por um ambiente carbonático cárstico, impõe desafios adicionais à caracterização de fontes rasas de baixa magnitude. A análise integra dados sísmicos e infrassônicos adquiridos por uma rede local composta por estações sísmicas de banda larga e estações híbridas sismo-acústicas. A metodologia baseia-se na avaliação conjunta de atributos temporais e de coerência espacial, incluindo detecção infrassônica por processamento PMCC e comparação com intervalos esperados de chegada acústica. O monitoramento realizado em 2024 resultou em aproximadamente 700 detecções sísmicas. Após a aplicação de critérios de qualidade, oito eventos foram selecionados para análise detalhada. Esses eventos apresentam magnitudes locais (MLv) entre 0,7 e 2,1 e hipocentros rasos concentrados entre ~1,2 e 1,8 km de profundidade. Nenhum deles apresentou detecções infrassônicas coerentes nesses intervalos de chegada acústica, em contraste com explosões em pedreiras, que exibem sinais infrassônicos bem definidos, com velocidades aparentes próximas de 370 m s⁻¹ e backazimutes consistentes com áreas de mineração. A similaridade de formas de onda e os mecanismos focais predominantemente compressivos indicam a reativação de estruturas préexistentes no domínio carbonático. Em conjunto, os resultados demonstram que a ausência sistemática de resposta infrassônica constitui um critério robusto para a discriminação de eventos sísmicos naturais em ambientes intraplaca rasos, reforçando a eficácia da abordagem sismoacústica integrada.