Avaliação do impacto biomecânico de equipamento de segurança para motociclistas em simulações de caminhada
Biomecânica, Simulação Musculoesquelética, Análise de Marcha, Equipamento de Proteção Individual.
Motociclistas de aplicativo compõem um grupo com alta exposição a acidentes de trânsito e, ao mesmo tempo, realizam parte significativa de sua jornada de trabalho caminhando em calçadas, rampas e escadas. Neste contexto, esta dissertação avaliou, por meio de simulações musculoesqueléticas preditivas, o impacto biomecânico do uso de uma caneleira de proteção tibial sobre a marcha humana. Foi utilizado um modelo bidimensional no plano sagital, integrado aos softwares OpenSim, SCONE e HyFyDy, em dez cenários de locomoção, cada um simulado nas condições sem EPI e com EPI. A caneleira foi modelada como uma massa rígida de 350 g acoplada à tíbia (e, em um cenário adicional, 500 g), e seu efeito foi quantificado por meio de métricas de erro entre as curvas angulares articulares (RMSD e MAE) e de análise estatística de sujeito único. Na caminhada em terreno plano a 1,0 m/s, os valores de RMSD global permaneceram inferiores a 2° para quadril, joelho e tornozelo, abaixo do limiar de referência de 5° adotado na literatura. Em aclive de 10°, os RMSD atingiram aproximadamente 14° para quadril e joelho, enquanto na subida de escada o RMSD do joelho alcançou cerca de 29°, indicando alterações expressivas no padrão de movimento. No declive de 5°, o RMSD do quadril chegou a aproximadamente 15°, ao passo que no declive de 10° retornou a valores próximos de 4,5°, sugerindo uma estratégia de marcha mais rígida em descidas íngremes. O aumento da massa da caneleira para 500 g por perna resultou em RMSD superiores a 5° em todas as articulações e cenários avaliados. Os resultados indicam que a caneleira de 350 g por perna é compatível com a manutenção do padrão cinemático da marcha em terreno plano, mas produz alterações angulares em aclives, escadas, declives suaves e terreno acidentado. O incremento de massa intensifica esses desvios, apontando a massa do equipamento como parâmetro crítico para o projeto de EPIs para motociclistas de aplicativo.