Análise de eficiência dos cursos de graduação presenciais de Ciências Contábeis usando a Análise Envoltória de Dados (DEA)
Eficiência Técnica; Análise Envoltória de Dados; Educação Superior; Ciências Contábeis
A educação superior brasileira passou por um processo significativo de expansão nas últimas décadas, mas a eficiência na alocação de recursos e a manutenção da qualidade permanecem como desafios centrais para a sustentabilidade das instituições. Persiste uma lacuna de conhecimento sobre a eficiência técnica dos cursos de Ciências Contábeis em abrangência nacional, especialmente quanto aos fatores que diferenciam o desempenho entre instituições públicas e privadas em uma mesma análise comparativa. Esta pesquisa objetiva avaliar o nível de eficiência técnica dos cursos de graduação presenciais de Ciências Contábeis no Brasil por meio da Análise Envoltória de Dados (DEA). Busca-se identificar os cursos que operam na fronteira de eficiência (benchmarks), analisar os fatores que influenciam esse desempenho e propor medidas para a melhoria da gestão das unidades ineficientes. Adota-se uma abordagem quantitativa com o emprego do modelo DEA BCC, com retornos variáveis de escala e orientação ao output. Foram utilizados dados secundários do Censo da Educação Superior e microdados do ENADE referentes ao ciclo de 2022. A amostra compreende 629 cursos presenciais, utilizando como variáveis de entrada o Índice de Qualificação do Corpo Docente (IQCD), vagas ofertadas e matrículas, e como variáveis de saída o número de concluintes e o desempenho acadêmico no ENADE. Uma análise de agrupamento via K-means complementou a análise. Os resultados identificaram 4 clusters com perfis estruturais e de desempenho distintos. O Cluster 1 apresentou eficiência moderada (14,36%) com foco na qualidade formativa, enquanto o Cluster 2 foi o mais eficiente (20,59%) e o Cluster 4 o mais vulnerável (10,07%). Instituições públicas mostraram desempenho superior, com 22,47% de unidades eficientes, comparadas a apenas 7,41% das instituições privadas, na análise em separado de cada uma delas. A ineficiência predominante é de natureza alocativa, vinculada principalmente à ociosidade de vagas e subutilização do corpo docente qualificado. A pesquisa conclui que a eficiência técnica nos cursos de contabilidade não é determinada pelo porte institucional, mas pelo equilíbrio entre a estrutura de oferta e a capacidade de converter recursos em resultados acadêmicos consistentes. As implicações práticas indicam que gestores devem priorizar o redimensionamento de vagas e o fortalecimento de políticas de permanência estudantil, transformando diagnósticos de eficiência em instrumentos de melhoria contínua. Recomendase a institucionalização de avaliações periódicas de eficiência como ferramenta de diagnóstico e auxílio na formulação de políticas públicas mais sensíveis às heterogeneidades regionais do sistema.