Do Livro Didático à Inteligência Artificial: o Trabalho Docente frente ao uso dos recursos didáticos na Educação Fundamenta
trabalho docente; recurso didático; plataforma educacional; alienação; imaginação criadora
A tese tem por objetivo central investigar como a alienação do trabalho docente é estruturalmente produzida e reproduzida no capitalismo por meio da inovação tecnológica que aprofunda o controle sobre o processo educativo, por um lado, e a precarização do(a) professor(a), por outro. Desde o livro didático até as atuais plataformas educacionais, passando pela inteligência artificial, o recurso didático não é uma ferramenta pedagógica neutra, pois funciona como dispositivo de vigilância, de intensificação do ritmo de trabalho e de esvaziamento da autonomia docente, servindo à hegemonia do grupo dominante sobre a educação do povo. À luz do materialismo histórico-dialético, a pesquisa investiga a historia da formação da escola pública brasileira, desde as influências escolanovistas, na Era Vargas, até a contemporânea reestruturação engendrada pelas chamadas inovações tecnológicas educacionais, evidenciando que a submissão do(a) professor(a) aos recursos didáticos é uma constante que assume novas formas na era digital. Metodologicamente, adota-se a perspectiva da pesquisa qualitativa, combinando análise documental e histórica com escuta ativa por meio de entrevista não-diretiva realizada com docentes com experiência profissional e que atuam nas cinco regiões do Brasil, abrangendo relatos de educadores que atuam em diversas escolas indígenas, rurais, urbanas e periféricas. Os resultados demonstram que a suposta inovação tecnológica oculta um processo de reestruturação do trabalho docente que precariza, ainda mais, as condições já deficitárias de infraestrutura, de ausência de materiais e de sobrecarga de atividades, submetendo o(a) professor(a) à lógica de exploração mais intensa de seu trabalho.