Cultura digital e mal-estar docente: (des)conexões na sala de aula
Mal-estar docente; Cultura digital; Subjetividade; Psicanálise e educação.
Este estudo busca compreender, por meio das percepções e narrativas dos professores, os desdobramentos da cultura digital em sua rotina profissional, investigando como esse cenário afeta a saúde mental e o desempenho da atividade docente. A necessidade de regulamentação do uso de dispositivos eletrônicos nas escolas de educação básica evidencia uma crise social que desloca o professor da função de transmissão simbólica para o lugar de fiscal do espaço escolar. Amparado na interface entre Psicanálise e Educação, em diálogo com a Filosofia e a Sociologia, o referencial teórico articula os impasses da impossibilidade estrutural do ato educativo e a crítica à ilusão de controle através de fórmulas educacionais com as pressões institucionais e subjetivas da racionalidade gerencialista contemporânea. O desenho metodológico consiste em uma abordagem qualitativa de orientação psicanalítica e adota a entrevista narrativa como dispositivo para escutar professores regentes do Ensino Médio de uma escola da rede pública do Distrito Federal. O trabalho busca, por meio do resgate da palavra e da implicação dos sujeitos, compreender as nuances do mal-estar docente diante do isolamento do sofrimento docente, evitando leituras reducionistas ou diagnósticas deste cenário, contemplando a complexidade e a dimensão multifatorial do fenômeno