Barbie no Instagram: imagens, educação estética e partilhas do sensível no digital
Educação estética; Cultura digital; Ecossistema midiático; Bonecas; Dispositivo sensível.
Esta tese investiga o Instadoll, comunidade formada por perfis no Instagram dedicados à produção e ao compartilhamento de imagens de bonecas, particularmente a Barbie, como espaço de produção imagética, disputa simbólica e formação do sensível no contexto da cultura digital. Parte-se do problema de compreender como essas imagens, frequentemente associadas ao entretenimento e ao consumo, podem operar como dispositivos sensíveis capazes de tensionar regimes hegemônicos de visibilidade. O objetivo é investigar se, e de que maneira, imagens produzidas e compartilhadas por perfis brasileiros do Instadoll contribuem para a reconfiguração da partilha do sensível, participando da produção de dissenso e abrindo possibilidades para processos de ducação estética.A pesquisa, de abordagem qualitativa, articula etnografia digital e o Diagrama para Análise de Imagens (DAI), aplicado a doze imagens selecionadas dos perfis @barbiestyle, @bonecapretta e @tinadescolada, produzidas entre junho de 2023 e junho de 2024 e analisadas em diálogo com mais de 1.500 capturas de tela catalogadas durante a etapa etnográfica. Os resultados evidenciam que, enquanto o perfil oficial @barbiestyle estabiliza um regime de visibilidade orientado pelo consumo, pela beleza normativa e pelo lifestyle aspiracional, os perfis brasileiros reconfiguram, em diferentes graus, esse padrão ao reinscreverem a Barbie em narrativas de ancestralidade, raça, deficiência, acessibilidade, memória e reconhecimento. Conclui-se que imagens compartilhadas em ecossistemas digitais podem atuar como dispositivos sensíveis de educação estética quando reorganizam modos de perceber, reconhecer e atribuir valor a sujeitos historicamente marginalizados, contribuindo para compreender como tecnologias comunicacionais participam da formação estética, ética e política do olhar.