A PERMANÊNCIA MATERIAL E SIMBÓLICA DE ESTUDANTES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIOECONÔMICA NA UNIVERSIDADE PÚBLICA: a realidade da Universidade de Brasília.
permanência estudantil; vulnerabilidade socioeconômica; universidade pública; Psicanálise e Educação; Universidade de Brasília
Esta pesquisa investiga a permanência estudantil na Universidade de Brasília em suas dimensões material e simbólica. Parte do pressuposto de que a democratização do acesso ao ensino superior público, embora represente um avanço histórico incontestável, não garante, por si só, a inscrição subjetiva dos estudantes no espaço universitário nem sua efetiva participação no mundo do saber. O estudo tem como objetivo compreender de que modo estudantes historicamente marginalizados vivenciam a permanência na instituição, bem como os impasses institucionais, políticos e subjetivos que atravessam essa experiência. Ancorada na interlocução entre Psicanálise, Educação e Política, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, articulando revisão bibliográfica, análise documental e escuta de narrativas produzidas no contexto universitário. A análise evidencia que a permanência não pode ser reduzida à assistência material, pois envolve também reconhecimento, pertencimento, circulação da palavra, possibilidade de laço e inserção no espaço comum. Os resultados indicam que as precariedades estrutural e institucional, a patologização do sofrimento, a fragilidade das mediações simbólicas e a insuficiência de espaços de escuta produzem efeitos de desamparo que comprometem a trajetória acadêmica, mesmo quando o acesso formal está assegurado. Em contrapartida, o estudo demonstra que experiências de acolhimento, participação, escuta e reconhecimento podem operar como sustentação da permanência efetiva. Defende-se, assim, que uma política universitária comprometida com a democratização efetiva deve incorporar a infraestrutura simbólica da permanência como dimensão constitutiva da função pública da universidade. Conclui-se que permanecer não significa apenas evitar a evasão, mas poder habitar o espaço acadêmico como sujeito de palavra, de desejo e de ação, inscrevendo-se nele com dignidade e transformando, por meio de sua travessia, a própria instituição.