Rede Social: Um Novo Mal-Estar?
redes-sociais; tempos lógicos; RSI; teoria dos discursos.
Esta dissertação surge da percepção de que, nas redes sociais, impera a repetição, e isso se
evidencia no conteúdo nelas veiculado: pessoas usando as mesmas palavras e até a mesma entonação de
voz em vídeos que compõem um feed infinito. Tendo em vista a direção do tratamento em psicanálise,
que aponta para a assunção de um estilo próprio e singular por parte do sujeito, buscamos promover o
encontro entre as redes e a teoria psicanalítica para verificar os possíveis impasses e consonâncias desse
diálogo. A partir da escuta clínica e do que circula na mídia, partimos da constatação, aparentemente
evidente, de que o uso de redes sociais tem produzido efeitos negativos na saúde mental das pessoas.
Buscando não tomar como indiscutíveis algumas relações entre piora da saúde mental e o uso de redes
sociais, optamos pelo caminho de lançar mão de noções e conceitos psicanalíticos para investigar
algumas camadas desse mal-estar e verificar suas possíveis razões. Com os tempos lógicos de Jacques
Lacan, tratamos da velocidade do mundo atual e apresentamos a hipótese de que vivemos uma restrição
do Tempo de Compreender, o que compromete o próprio surgimento do sujeito do inconsciente.
Alicerçados nos registros Real, Simbólico e Imaginário, debatemos os efeitos que um excesso de
circulação das imagens produz: o aprisionamento no registro Imaginário e as dificuldades no
relacionamento com o outro. Ao final, com o auxílio da teoria dos discursos, analisamos como o laço
social tem organizado as formas de gozo, sustentando que as redes sociais contribuem para que o sujeito
permaneça em uma posição específica de gozo, o que esfacela as possibilidades de encontro com o outro
e, em última instância, dificulta sua capacidade de amar