“Tem muita coisa que a gente deveria saber antes”: Psicoeducação para o apoio emocional de mulheres lidando com infertilidade.
Infertilidade; impactos psicossociais; psicoeducação; promoção da saúde mental
A infertilidade, condição que afeta aproximadamente 17,5% da população mundial em idade reprodutiva, apresenta implicações emocionais, sociais e culturais significativas. Este trabalho investigou esses impactos, analisou intervenções psicológicas e propôs um modelo psicoeducativo para mitigar o sofrimento associado à infertilidade. Baseada em abordagens interdisciplinares e evidências científicas, a pesquisa busca contribuir para a saúde mental e reprodutiva de mulheres brasileiras, alinhando-se às recomendações da OMS e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 3 e 5. A tese está estruturada em quatro partes interconectadas apresentadas como capítulos. O primeiro revisa os impactos psicossociais da infertilidade, destacando altas prevalências de ansiedade (25%) e depressão (30%) entre mulheres inférteis, associadas ao estigma social e à pressão cultural para a maternidade. A análise também revela que desigualdades no acesso a tratamentos reprodutivos, especialmente em países como o Brasil, agravam esse sofrimento, criando barreiras emocionais e sociais adicionais. O segundo capítulo foca na revisão de intervenções psicológicas, avaliando a eficácia de abordagens como Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), psicoterapia positiva e escrita expressiva. Essas intervenções demonstraram redução significativa de sintomas emocionais, promovendo maior resiliência e qualidade de vida, embora estudos futuros sejam necessários para confirmar e aprofundar os achados. No capítulo 3, adota-se uma abordagem qualitativa para analisar narrativas de mulheres inférteis compartilhadas em redes sociais, explorando padrões emocionais, estratégias de enfrentamento e seus desfechos. Essa análise revelou como as mulheres lidam com a infertilidade, identificando desde práticas individuais de resiliência até mecanismos de suporte social e espiritual. Esses dados forneceram subsídios para a elaboração do material psicoeducativo ao destacar estratégias de enfrentamento que efetivamente promovem o bem-estar psicológico. A pesquisa utilizou os resultados para estruturar um modelo prático e culturalmente sensível. Por fim, o capítulo 4 apresenta o modelo psicoeducativo desenvolvido com base nos achados anteriores. Este material foi concebido para validar as emoções das mulheres inférteis, promover estratégias baseadas em evidências científicas, como técnicas de reestruturação cognitiva, e oferecer exemplos práticos e culturalmente adaptados para facilitar o enfrentamento. A integração de recursos médicos e psicológicos, aliados a uma linguagem acessível e sensível ao contexto cultural brasileiro, reforça o potencial do modelo em atender as necessidades dessas mulheres.A pesquisa conclui que intervenções integradas e psicoeducativas são essenciais para lidar com a complexidade dos impactos psicossociais da infertilidade. O modelo proposto contribui significativamente para o campo da saúde mental e reprodutiva, oferecendo suporte prático, humano e inclusivo, que pode melhorar a experiência de mulheres inférteis no Brasil.