Subjetividade e Ontologia: Uma Análise Crítica Sobre As Pesquisas Baseadas em Evidência em Psicoterapia
psicoterapia; prática baseada em evidências; subjetividade; ontologia da subjetividade; pesquisa qualitativa.
Nas últimas décadas, a pesquisa em psicoterapia tem experimentado um desenvolvimento significativo com a consolidação do modelo de prática baseada em evidências como um dos principais referenciais para a avaliação dos tratamentos psicológicos. Esse modelo tem contribuído para o fortalecimento dos padrões científicos da disciplina por meio do uso de metodologias experimentais, particularmente os ensaios clínicos randomizados e as meta-análises, orientadas a estabelecer a eficácia das intervenções terapêuticas. No entanto, diversos autores têm apontado que essa abordagem também apresenta limitações para abordar a complexidade dos fenômenos psicológicos e a singularidade dos processos psicoterapêuticos tal como se desenvolvem em contextos clínicos reais. Nesse contexto, a presente pesquisa tem como objetivo analisar o desenvolvimento do modelo de prática baseada em evidências em psicoterapia e discutir sua relação com o campo da subjetividade. Para isso, o estudo adota uma abordagem teóricoconceitual baseada na análise crítica da literatura científica proveniente da pesquisa em psicoterapia, da epistemologia da psicologia e das teorias contemporâneas da subjetividade. A partir dessa análise, examinam-se alguns dos principais conceitos e desenvolvimentos que estruturam o debate atual sobre evidência em psicoterapia — como os tratamentos empiricamente sustentados, os ensaios clínicos randomizados e as meta-análises — em diálogo com as condições ontológicas, epistemológicas e metodológicas associadas ao estudo da subjetividade. Além disso, são analisadas diferentes perspectivas teóricas que destacam a relevância da subjetividade para a compreensão dos processos psicoterapêuticos. Nesse sentido, a pesquisa busca contribuir para o debate contemporâneo sobre a produção de evidências em psicoterapia, destacando a importância de considerar a subjetividade como uma dimensão relevante tanto para a pesquisa quanto para a prática clínica..