Qualidade de vida e sexualidade de mulheres com câncer em cuidados paliativos
sexualidade; cuidados paliativos; qualidade de vida; neoplasias; mulheres.
A sexualidade é um aspecto central do desenvolvimento humano e está relacionada à qualidade de vida. Apesar de os cuidados paliativos objetivarem a promoção da qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças ameaçadoras da vida e de demandas relacionadas à sexualidade serem comuns nessa população, tal dimensão raramente é considerada e abordada pela equipe de saúde. Buscando ampliar o conhecimento sobre essas necessidades, este estudo teve como objetivo conhecer e analisar a qualidade de vida, a vivência da sexualidade e a percepção sobre satisfação sexual de mulheres com câncer em cuidados paliativos. Trata-se de um estudo de abordagem mista, transversal, de caráter descritivo e exploratório, com delineamento de estudo de caso. Participaram dez mulheres com câncer em cuidados paliativos, recrutadas em um ambulatório de cuidados paliativos e por meio de mídias digitais. Os instrumentos utilizados foram entrevista semiestruturada e questionário sociodemográfico, elaborados para a pesquisa, além da Escala de Satisfação Sexual para Mulheres (SSS-W) e do Questionário de Qualidade de Vida (WHOQOL-Bref). Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva e à Análise Temática, com posterior triangulação. Os resultados foram organizados em quatro eixos temáticos: (1) Qualidade de vida; (2) Corpo e imagem corporal; (3) Satisfação sexual, sexualidade e relação conjugal; e (4) Relação com a equipe e sexualidade no cuidado em saúde. Os achados evidenciaram impactos significativos na qualidade de vida das participantes, especialmente no domínio físico, associados à dor, fadiga e limitações funcionais, além de repercussões psicossociais. Também foram identificadas repercussões importantes na imagem corporal, com impacto na autoestima e, em alguns casos, na vivência da sexualidade. A sexualidade foi experienciada de forma singular entre os casos, marcada por mudanças no desejo, dificuldades na prática sexual e redução da satisfação em alguns casos, assim como, em outros, manutenção do desejo, necessidade de adaptações e valorização de outras formas de expressão afetiva. A vivência da sexualidade mostrou-se mediada pela qualidade da relação conjugal, destacando-se a importância da comunicação, da intimidade e da compreensão das limitações impostas pela doença, evidenciando a presença de marcadores de gênero na experiência do adoecimento. Por fim, foram identificadas lacunas na abordagem da sexualidade por profissionais de saúde, evidenciando dificuldades na comunicação e negligências no cuidado. Conclui-se que a sexualidade é uma dimensão relevante e ainda invisibilizada no contexto dos cuidados paliativos, sendo fundamental sua incorporação na prática assistencial em oncologia e nos cuidados paliativos, visando à promoção de cuidado integral e consequente melhoria da qualidade de vida dessas mulheres.