Sonho, tradução e desamparo: escrever é o que resta
sonho; tradução; desamparo; escrita; psicanálise
Este trabalho busca responder, a partir da psicanálise, a pergunta “Por que se escreve?”. Trata-se
mais especificamente de uma escrita que busca se aproximar de algo intraduzível, da ordem do
desconhecido, relacionado ao umbigo do sonho. Para empreender tal investigação, parte-se da relação de
Freud com a escrita e das relações entre sonho e escrita. Posteriormente, chega-se às questões do trauma
e do desamparo, como algo que enseja essa escrita ligada a uma ausência. A partir disso, propomos uma
dor de escrever, advinda da própria impossibilidade dessa escrita e do fato de que esta se origina do
desamparo que nos constitui de modo insuperável. Por fim, pensamos possíveis paralelos entre essa
escrita e a literatura do trauma, visto que ambas tratam de uma escrita impossível, porém necessária. A
questão da tradução perpassa este trabalho, tanto como transposição de um idioma a outro como modelo
de interpretação do trabalho do inconsciente, ambos implicando sempre em perda, em um resto
intraduzível. Considerando que esta é uma pesquisa sobre a escrita e o escrever, entendemos que recorrer
a fragmentos de textos literários é algo incontornável. Assim, solicitamos o auxílio de escritoras como
Clarice Lispector e Marguerite Duras.