COSMOPOÉTICA DA PALAVRA N'O AUSENTE, DE EDIMILSON DE ALMEIDA PEREIRA
O Ausente; Cosmopoética da palavra; tempo espiralar; encruzilhada;
O problema central da tese é pensar, investigar e problematizar o lugar da palavra em O Ausente, romance de Edimilson de Almeida Pereira, publicado em 2020, que integra a sua trilogia intitulada “Náusea”. Na obra do escritor mineiro, a linguagem ultrapassa sua função representacional para constituir-se como instância de produção de mundo, articulando memória, ancestralidade e experiência em uma temporalidade não linear, prática ritual, política-ética-estética. Parto da hipótese de que a palavra é a pedra filosofal exusíaca, isto é, a gira espiralar que atravessa toda sua narrativa. Para dar conta desse movimento, tomo emprestado a ideia de cosmopoética do afro- europeu Dénètem Touam Bona (2025) e a partir daí a expando, a complexifico e a atualizo no contexto da literatura-terreiro, de nossa afro-brasilidade, situando o tempo e a linguagem enquanto cosmopolítica e crítica nagô. Nesse horizonte, o romance é lido como espaço de encruzilhada, na qual a linguagem-experimento se estrutura por movimentos de retorno, fricção e deslocamento, instaurando uma lógica de sentido que resiste à linearidade e à transparência. Conclui-se que a obra constitui uma cosmopoética da palavra que, ao articular estética, política e ancestralidade, afirma a linguagem como lugar de resistência, reinvenção e sustentação de mundos. Para essa encruzilhada poética, convoco Leda Maria Martins (2021), Paul Zumthor (2018) Luiz Rufino (2019), Henrique Freitas (2019), Muniz Sodré. Édoauad Glissant (2021), Deleuze-Guattari (2012), Juana dos Santos (2012), dentre outros.