Banca de QUALIFICAÇÃO: BARBARA LOUREIRO BORGES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : BARBARA LOUREIRO BORGES
DATA : 18/12/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Sala de reuniões das Ciências Florestais
TÍTULO:

RESTAURAÇÃO ECOLÓGICA: UMA ANÁLISE SOCIOECOLÓGICA DO PAPEL DOS ASSENTAMENTOS DE REFORMA AGRÁRIA

 


PALAVRAS-CHAVES:

restauração ecológica; agroecologia; movimentos camponeses; sistemas socioecológicos


PÁGINAS: 62
RESUMO:

A crise ambiental contemporânea, agravada pela expansão agropecuária e pelas mudanças no uso da terra, evidencia os limites do modelo hegemônico de produção agrícola no Brasil, responsável pela perda acelerada de biodiversidade e pela intensificação da degradação ambiental. Neste contexto, a restauração ecológica se apresenta como uma estratégia essencial para reverter danos e recuperar as funções ecossistêmicas, articulando compromissos internacionais e políticas nacionais. Entretanto, diversos autores e pesquisas tem apontado que para ter efetividade, a restauração não pode ser reduzida apenas a um conjunto de técnicas ecológicas, mas também incorporar dimensões sociais, políticas e econômicas, reconhecendo o papel das comunidades rurais e de seus conhecimentos tradicionais. Nesse sentindo, os assentamentos de reforma agrária configuram-se como territórios estratégicos. Enquanto componentes da paisagem, eles têm potencial para conciliar a recuperação de áreas degradadas com práticas produtivas baseadas na agroecologia, promovendo soberania alimentar, geração de renda e conservação ambiental.

Esta pesquisa tem como objetivo compreender como a perspectiva política e ecológica do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) contribuiu para ampliar os significados e práticas da restauração ecológica, bem como analisar de que maneira os assentamentos de reforma agrária reinterpretam e aplicam a restauração a partir da adoção da agroecologia.

A primeira hipótese sustenta que essa ressignificação decorre de um processo histórico-dialético, no qual a adoção da agroecologia como matriz produtiva e prática política pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, integra dimensões ecológicas, sociais, políticas e econômicas. A segunda defende que a restauração, nesses territórios, resulta da integração entre produção agroecológica de alimentos e a reincorporação da biodiversidade, gerando benefícios múltiplos e redefinindo o sentido da restauração.

O Capítulo I examina o percurso histórico de incorporação da restauração ecológica no MST e suas convergências e contradições com outras abordagens. O Capítulo II aprofunda a análise de como os assentamentos reinterpretam e praticam a restauração ecológica a partir da agroecologia, por meio da análise de experiências em diferentes biomas.

O estudo busca evidenciar a relevância dessas experiências para subsidiar políticas públicas e programas de incentivo à restauração em larga escala. Destaca-se ainda a contribuição do movimento camponês para a teoria e prática da restauração ecológica, uma vez que suas leituras partem de perspectivas agroecológicas e de justiça social, reinterpretando criticamente os projetos que lhes são propostos e propondo alternativas mais integradas às dinâmicas territoriais locais.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - ***.048.058-** - DANIEL LUIS MASCIA VIEIRA - UnB
Externo ao Programa - 1624482 - SERGIO SAUER - UnBExterna à Instituição - Nathália Cristina Costa do Nascimento
Notícia cadastrada em: 19/12/2025 11:20
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